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30 novembro 2010

O inquieto Carpinejar

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Fabrício Carpinejar leu uma de suas poesias na Bienal do Livro

















Fabrício Carpinejar é um cronista que tira de seu cotidiano motivos pra rir, mesmo que inicialmente a vontade dele seja de esbravejar com quem está ao seu redor. O homem também escreve poesia e por esta habilidade foi convidado a falar sobre “Poesia contemporânea” na VI Bienal do Livro de Campos, no dia 14 de novembro/2010, quando dividiu espaço com o poeta Artur Gomes.

Quem quiser acompahar o escritor, que este ano lançou o livro ‘Mulher Perdigueira”, pode ver seu blog em www.carpinejar.blogspot.com .

Curiosa, indaguei Carpinejar sobre a neutralidade de sua roupa (sem muita cor, mais discreta que em outras ocasiões). Ele simplesmente disse que gosta de surpreender. E me surpreendeu. Dele eu li “Canalha!”, livro que ano passado ganhou o prêmio Jabuti na categoria crônica.

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O poeta Artur Gomes na Bienal do Livro
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Fátima Nascimento e Fabrício Carpinejar

21 novembro 2010

20 novembro 2010

Show poético de Elisa Lucinda

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A atriz e escritora Elisa Lucinda participou da Bienal do Livro de Campos  no dia 13 de novembro. Durante o tempo em que esteve no palco da Arena Cultural, declamou poemas, contou histórias, fez rir e emocionar.

Abaixo um de seus poemas, extraído do site O dom de voar.
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MAR ADENTRO

É preciso chorar. As lágrimas são a chuva da gente, nuvens do nosso tempo íntimo precisam desabar. É preciso chorar, lágrimas são os rios do ser, as cachoeiras da gente, mudam nosso tempo simples, atualizam o nosso mar. É preciso chorar, é preciso à natureza copiar, é preciso aliviar e molhar a seca do coração. Se não chover, vira sertão, morre homem, morre gado, morre plantação. 
Elisa Lucinda

18 novembro 2010

O espanto e a poesia

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Poeta Ferreira Gullar na VI Bienal do Livro de Campos





















A considerar o dito por Ferreira Gular na Bienal do Livro de Campos, este homem está há 80 anos poeta e vive “espantado”. Segundo ele, “o poeta nasce poeta, mas tem que saber usar o seu instrumento de expressão”. Sobre o espanto, ele explica:

- No fazer poesia a coisa fundamental é o espanto; algo que me surpreende e me revela um aspecto da realidade que eu ainda não havia percebido. O espanto é que gera o poema. Você tem que saber construir o poema – disse Gullar.

A conversa com o escritor aconteceu no dia 13/11, sob o tema “Ferreira Gullar: 80 anos de poesia”. A seguir, outras falas do poeta durante o evento:
“A poesia é uma invenção. Vivemos do que formulamos, do que inventamos”.
“O que crio é uma coisa verbal, o que o idioma possibilita. Eu não posso traduzir, eu posso inventar um poema, frases, mas não é aquilo que aconteceu”.
“Eu me preocupo com o país. As coisas têm que ser feitas com consciência e paciência”.
“A justiça é uma invenção do ser humano porque sem a justiça a sociedade não subsiste”.
“A vida é feita de acaso e necessidade”.

O poeta foi bastante prestigiado. Arenal Cultural lotada, com mediação da professora Arlete Sendra. Abaixo um poema de Gullar.


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Dois e dois: quatro


Como dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
embora o pão seja caro
e a liberdade pequena

IMG_7073Como teus olhos são claros
e a tua pele, morena

como é azul o oceano
e a lagoa, serena

como um tempo de alegria
por trás do terror me acena

e a noite carrega o dia
IMG_7086no seu colo de açucena


- sei que dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena

mesmo que o pão seja caro
e a liberdade, pequena.

(Ferreira Gullar)
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15 novembro 2010

Amor demais em Vinícius

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José Castello e Zezé Motta na VI Bienal do Livro de Campos, ocorrida entre os dias 05 e 14 de novembro/2010. O tema da dupla foi “Vinícius de Moraes e o amor demais”.

Castello foi o primeiro autor a publicar a biografia de Vinícius de Moraes. Um homem que tinha a necessidade de estar apaixonado para escrever seus textos, daí ter casado inúmeras vezes.

Zezé Motta declamou algumas poesias de Vinícius. A participação deles ocorreu no dia 11.
Eu não existo sem você
Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você
Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você

Vinícius de Moraes

Mia Couto e Agualusa na Bienal do Livro de Campos

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Registro do blog da presença dos escritores Mia Couto (Moçambique) e José Eduardo Agualusa (Angola) na VI Bienal do Livro de Campos. Eles falaram sobre “Leituras da África Contemporânea” no dia 12/11/2010, com a mediação de Rita Maia. 

“Ouvir um livro como quem escuta a própria vida. Isso é muito trazido do Brasil”, disse Mia Couto quando falou da literatura brasileira e a influência dela em sua obra. E acrescentou: “O escritor começa quando é capaz de escutar aquilo que são os silêncios dos outros”.

Quem conhece a obra do Mia Couto sabe o quanto a prosa poética está presente em seus escritos. Suas respostas confirmam tal preferência. Há poesia em suas palavras. Há um transbordamento de originalidade e sentimento em sua fala.

Em um diálogo entre personagens no livro Antes de nascer o  mundo, seu mais novo romance, é dito: “Ninguém é de uma raça. As raças são fardas que vestimos”. E noutro trecho: “… essa farda se cola, às vezes, à alma dos homens”.

A participação de Agualusa e Mia Couto foi um dos pontos altos da programação da Bienal do Livro de Campos, encerrada dia 14/11/2010. 

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José Eduardo Agualusa, escritor angolano

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Mia Couto, Agualusa e Rita Maia, mediadora do encontro

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Mia Couto, escritor moçambicano

14 novembro 2010

13 novembro 2010

A descoberta do outro na literatura

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Suzana Vargas e Moacyr Scliar no Café Literário da Bienal do Livro de Campos




















“O exercício da medicina ajuda a literatura”, disse o médico e escritor Moacyr Scliar na Bienal do Livro de Campos. Autor de pelo menos 81 livros, Scliar falou, dentre outros assuntos, do conciliar a medicina com a a escrita literária.

Segundo Scliar, os pacientes o ajudaram na função de escritor: “A medicina parte de uma história”. Quando alguém procura o médico conta o que está sentindo e cria fantasias em relação à doença. “É interessante a maneira como as pessoas vivenciam sua doença (…). O trabalho do escritor completa o do médico”.

- A literatura nos ensina a descobrir o outro. Na medicina ocorre a descoberta do outro, doente  - falou o médico e escritor.

Indagado (por mim) sobre a razão do crescimento da dependência química, tanto em relação a medicamentos como em relação às drogas não lícitas, Scliar atribuiu essa realidade à necessidade que muitos têm de “preencher o seu vazio interior, colocar alguma coisa pra dentro”. E disse mais: “Reflete o desamparo em que vivem as pessoas na sociedade”. 

O autor ressaltou que a psicanálise pode ajudar fazendo com que as pessoas se dêem conta do que está acontecendo com elas e reajam positivamente, numa “expressão dos conflitos através das palavras. Na medicina a palavra é terapêutica; na literatura, é estética”.

Moacyr Scliar participou da Bienal do Livro de Campos no dia 11 de novembro, com o tema “O texto ou a vida: aventuras de um médico escritor” e mediação de Suzana Vargas. O evento prossegue até 14 de novembro, no Centro de Campos dos Goytacazes/RJ. Veja a programação AQUI.

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Moacyr Scliar e Fátima Nascimento
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Moacyr Scliar

Um Titã na Bienal do Livro

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“Viajando na língua portuguesa” foi tema do Boteco Literário, dia 10, na VI Bienal do Livro de Campos. Participações da professora e poeta Edinalda Almeida e do músico e escritor Tony Bellotto, que apresenta na TV Futura o programa “Afinando a língua”. A mediação ficou por conta da jornalista Cecília Costa.
Bellotto destacou a importância de que os pais levem as crianças em livrarias e que tenham livros em casa. “É preciso ler para as crianças”, aconselhou o músico-escritor.

A dupla Edinalda e Bellotto foi perfeita. O debate foi descontraído, com perguntas da plateia. Um belo momento da Bienal do Livro de Campos que termina dia 14, domingo, com entrada franca.

Veja a programação AQUI.

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10 novembro 2010

Lançamento: “Escravidão & Abolição”

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Hélvio Cordeiro e Fátima Nascimento na Bienal do Livro
Hélvio Gomes Cordeiro lançou na Bienal do Livro de Campos nesta quarta-feira, dia 10, o livro Escravidão & Abolição. Hélvio é um pesquisador incansável. Tive a chance de conviver um pouco mais com ele durante o tempo em que trabalhei no jornal Monitor Campista, onde atuou como revisor e responsável pelo arquivo do centenário jornal.

Foi uma satisfação prestigiar o amigo em mais uma etapa de sucesso em sua vida. Outro livro de Hélvio – também histórico – é Carukango O Príncipe dos escravos.

09 novembro 2010

Além dos livros

Uma bienal do livro encanta não apenas pelos livros, seus autores e programação cuidadosamente elaborada. Há histórias não ficcionais nos corredores, nos estandes, nas salas de debates, nos espaços de shows. Há vidas que desabrocham entre livros, que se vêem nas entrelinhas de pensamentos de conceituados ou menos conhecidos escritores. E como é bom ouvir a voz de quem lemos, ter a chance de fazer perguntas, interagir, sorrir com eles e se emocionar.

Filas de autógrafos após as conversas literárias são comuns. A de Luís Fernando Veríssimo, na Bienal do Livro de Campos, formava uma frase bem grande, quero dizer, uma carreira enorme de leitores. Num certo momento ele autografou para uma leitora cega que se aproximou dele com uma encadernação em braile. O autor ficou um tempo sem fala nos dedos, deslizou a mão na folha e perguntou se poderia escrever na primeira página. Ela respondeu que poderia ser em qualquer lugar. Veríssimo deixou sua marca no caderno  onde o relevo é o intérprete do escritor e sua dedicatória não será vista pela fã, mas “sentida”. 

É preciso transpor as barreiras entre homens, educação e cultura. A criança que mendiga nos semáforos, os pedintes das esquinas que ficam enquanto passamos têm direito ao saber, ao entretenimento, ao cultivo da sensibilidade por meio dos livros. Impossível? Não, não é.

Estava eu no Café Literário, acompanhando um tributo à escritora Rachel de Queiroz, quando vi um senhor entrar na sala. Eu já o conhecia. Tratava-se do “homem do sinal”, um vendedor de guloseimas que já me inspirara a escrever um poema (leia). Ele sorriu pra mim (como faz no vermelho do sinal de trânsito), estendeu-me a sua mão e perguntou se sou jornalista, pois me viu com a câmera fotográfica e um bloco de anotações.

O que sou? Uma privilegiada. Não apenas por participar de um evento desse porte, mas especialmente porque meu olhar está além da visão. É assim que a gente se alegra com o que parece apenas mais um detalhe e permite que a nossa história não seja um monólogo. Não somos as únicas vozes.

(Fátima Nascimento)


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Luís Fernando Veríssimo quando
foi autografar a encadernação
em braile de sua fã
Foto: Fátima Nascimento

Bienal do Livro: sobre jornal impresso e internet

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Jornalistas Vítor Menezes e Cora Rónai na Bienal do Livro de Campos

“Eu não sei quanto tempo mais o jornal vai ser feito em papel (…). Os online são filhos do jornal impresso”, disse a jornalista e colunista do jornal O Globo, Cora Rónai, ao falar sobre “Jornal e Internet: uma morte anunciada?”, na Bienal do Livro de Campos, com a mediação do jornalista Vítor Menezes, do blog Urgente!.

Cora defende a permanência do jornal impresso, mas reconhece: “O primeiro lugar que a gente está obtendo a notícia é na internet, mas eu não vejo o fim do jornal impresso para um futuro muito próximo, não”.

Otimista, a jornalista acredita na convivência entre os dois veículos, sem que um prejudique o outro:  “O impresso e a internet eu diria que foram feitos um para o outro, quase”. E acrescentou: “O grande caminho do jornalismo de um modo geral é a opinião. O que vai fazer que as pessoas busquem o jornal é mais a opinião”.

Indagada sobre o fim da imparcialidade do jornalista nesta tendência pela escrita e leitura opinativa, Cora defendeu a isenção no jornalismo, explicando que a opinião ocorre, por exemplo, nas colunas e artigos. “Eu sou paga pra dar o meu pitaco”, brincou. O jornalista nas reportagens tem que continuar neutro”.

Cora Rónai participou do Boteco Literário na segunda, dia 8 de novembro. O público teve a oportunidade de fazer perguntas à jornalista, tornando-se um gostoso bate-papo. Ela falou também sobre o gênero crônica, dizendo que “a crônica é o recreio do leitor”.

Fiz duas perguntas, uma delas em tom de brincadeira, mas que teve como objetivo fazer sorrir e refletir. Cora cria gatos. Perguntei se um dos gatos escrevesse uma crônica sobre ela, qual seria o título. Ela respondeu: “Minha ídola ou Nossa empregada”. O cotidiano de Cora Rónai dentro de sua casa, quem melhor sabe são seus gatos.

A Bienal do Livro de Campos prossegue até dia 14/11. A programação completa você pode ver clicando AQUI.

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LOGO APÓS, NA ARENA CULTURAL…
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… FOI REALIZADO SHOW COM O TALENTOSO ÂNGELO NANI E SUA BANDA, A PARTIR DAS 21 HORAS.

07 novembro 2010

Zuenir e Veríssimo na Bienal do Livro de Campos

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Luís Fernando Veríssimo e Zuenir Ventura foram as estrelas do terceiro dia da VI Bienal do Livro de Campos, em 07/11. “Crônicas do cotidiano” foi o tema do bate-papo entre os autores mediado pelo jornalista Arthur Dapieve.

Diferente dos primeiros dias do evento, o Café Literário com Veríssimo e Zuenir foi realizado na Arena Cultural Aliás, iniciativa acertadíssima de Avelino Ferreira, diretor da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, pois o espaço antes reservado é bem menor.

Luís Fernando Veríssimo deixou uma mensagem para quem deseja exercitar a escrita: “A gente aprende a escrever, lendo”.

Zuenir Ventura, 79 anos, aconselha que os novos escritores escrevam pelo prazer de escrever e não pensando em publicação de livro, pois, explicou, pode levar muitos à frustração diante da dificuldade de uma editora publicar. Antenado, Zuenir destacou a publicação de textos na internet como alternativa acessível para quem gosta de escrever e quer propagar o que escreve.

O Café Literário com os dois escritores foi excelente. Veríssimo mais contido nas palavras e Ventura mais falante – ambos valorizando o gênero literário “crônica”, falando de suas inspirações e da amizade entre eles que dura 40 anos. Ao final autografaram livros e se deixaram fotografar ao lado de leitores.

Clique AQUI e veja a programação.

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Zuenir Ventura
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Luís Fernando Veríssimo











Fotos: Fátima Nascimento


Educação ambiental na Arena

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Cenas da peça “Caeirinho: Carta da Terra” apresentada na VI Bienal do Livro de Campos, no domingo, dia 7, na Arena Cultural. A peça infanto-juvenil levou uma mensagem sobre a necessidade da preservação ambiental.

Fotos: Fátima Nascimento

Paraíso na terra: entre livros e autores

Começou sexta, dia 05, e prossegue até dia 14 de novembro (domingo), a 6a. Bienal do Livro de Campos. No sábado estive no evento, que acontece em plena Praça São Salvador, com entrada franca. Tive a chance de prestigiar três programações do dia. No Café Literário, às 18h, os escritores Ruy Castro e Heloísa Seixas abordaram "A paixão pelos livros".  Ruy tem 20 mil títulos em sua biblioteca e mais de 30 livros publicados, inclusive biográficos. Foi muito legal ouvir este casal de escritores apaixonado por livros e pela escrita. Num certo momento Rui brincou, dizendo: "Quando eu morrer, não vou pro céu, vou pro sebo".

Às 20 horas foi a vez do Botequim Literário, com as presenças de Nelson Motta e ainda Ruy Castro, com a mediação do jornalista Chico de Aguiar. O papo foi sobre a música popular brasileira.  Em seguida, às 21h, na Arena Cultural, um show muito bacana com Rogério Bicudo.

Uma pena que o espaço físico do Café Litetário e Botequim Literário (no mesmo lugar) seja muito pequeno. Muita gente não conseguiu entrar. Uma novidade na Bienal do Livro deste ano está sendo a distribuição de senhas, que começam a ser fornecidas uma hora antes de cada evento. Muitos que chegaram pouco antes do início da programação foram pegos de surpresa, inclusive eu, que tive que "contar" com a desistência de algumas pessoas pra poder entrar.

Pra este domingo, dia 07, a programação noturna é a seguinte:
18h (Café Literário): "Crônicas do cotidiano", com Luís Fernando Veríssimo e Zuenir Ventura, mediação de Arthur Dapieve

20h (Botequim): "Futebol: Copa de 2014 - onde estamos e para onde vamos?", com Péris Ribeiro e Maurício Fonseca, mediação do jornalista Wesley Machado.

21h (Arena Cultural): "Jornada de paz em tempo de guerra".

Se você mora em Campos ou nas proximidades, aproveite! A próxima Bienal do Livro por aqui somente daqui a dois anos, como o próprio nome diz.

19 outubro 2010

Bienal do Livro em Campos

Esta é uma notícia que me faz sorrir aberto. Foi anunciada oficialmente pela Prefeitura de Campos a realização da Bienal do Livro, que acontecerá entre os dias 05 e 14 de novembro de 2010, na Praça São Salvador.

Agora é grande a expectativa pra saber quais oficinas e escritores farão parte da programação. O que já sabemos é que haverá um tributo à romancista Rachel de Queiroz (que faria 100 anos em novembro) e homenagem ao poeta e escritor  Ferreira Gullar. A informação está no portal da prefeitura.

31 maio 2006

Eu bebo palavras. E você?

Fátima Nascimento

Palavras existem de todo tipo: as ditas para responder; as pronunciadas para perguntar; as que emitem opiniões; as que calam a razão e deixam fluir a emoção. Podem ser lidas ou ouvidas. De qualquer maneira, prefiro palavras bebíveis. Letras não estão na forma líquida, mas existem falas que temos sede de beber. Não deixamos escapar sequer uma letra. Queremos matar nossa sede de conhecimento. Palavras que façam alguma diferença no nosso tumultuado cotidiano.

Com tal sede estive na 4º Bienal do Livro de Campos no seu primeiro dia, no sábado 27. Tomei cada palavra da escritora e educadora Cristina Coronha. “Temos atraído pessoas para nossas descobertas?” - perguntou. Fiz mea-culpa. Compartilhava mais meus aprendizados. A resistência das pessoas em crescer, arregaçar mangas, fazer a diferença no meio em que vivem/trabalham, me fez recuar. Faço uma seleção quase instintiva sobre com quem dividir minhas descobertas e conceitos.

Temos que criar pontes; vínculos. Nós é feito d´eus ”, engoli novamente. Cristina Coronha defende a união de pessoas em torno de idéias, mas sempre com o tempero afeto. “Temos que educar crianças, mas temos que reeducar adultos (...) O exemplo é sinal de que tenho algo para dar. Eu só posso dar o que eu tenho”. Bebi cada palavra, cada pensamento na oficina “Melhores pais, melhores filhos: educar pelo exemplo”.

Se quanto mais se aprende, mais se quer saber, eu quis mais. O cronista e romancista Alcione Araújo deu-me novos goles. “Nunca o mundo esteve tão despreocupado com o outro e radicalmente preocupado consigo”. Nenhuma novidade, mas temos que ouvir pra entrar dentro de nós e quem sabe provocar alguma mudança.

Somos passivos em excesso. O capitalismo enraizado nos tira de nós mesmos, rompe a nossa relação afetiva, nos torna máquinas. Somos números na selva de pedra em que transformamos nossa vida, nosso habitat. Alcione alerta que o nosso tempo está sendo roubado pelo capitalismo avançado e a emoção cedendo lugar à razão.

As pessoas cada vez dedicam menos tempo aos seus desejos. Você corre o risco de fracassar a sua vida por não dar importância ao desejo”, alfineta. Quando Alcione fala “desejo”, não se refere ao carnal, mas sobre permitir-se imaginar, sonhar para então realizar. Enquanto escritor, ele tem consciência de que só é efetivamente ouvido quando o seu verbo não está sob o controle da razão, mas da emoção.

A crônica é uma aventura diária necessária, disse o jornalista Luís Peazê – integrante do time de escritores no evento. Deste ponto de vista, uma vez por semana sou embarcação. Levo quem faz a leitura de meus textos a lugares que dependem da experiência de quem os lê. Se as pessoas são diferentes, a percepção estética, emocional e racional também varia Quando você chegar ao ponto final, terá lido 482 palavras. Mas se o leitor completa o texto, como disseram Luís Peazê e Alcione Araújo, a próxima palavra é sua.

Jornal Monitor Campista, 2º Caderno, 30/05/2006

28 maio 2006

A vez da emoção


Alcione Araújo (à esquerda) em palestra na Bienal do Livro de Campos

No primeiro dia da 4º Bienal do Livro, em Campos/RJ, participei de duas oficinas (sobre elas falarei outra hora) e de palestra no "Café Literário". Pelo café (opcional) paguei três reais, mas consumi gratuitamente as palavras de Alcione Araújo. O cronista e romancista falou sobre escrever com a emoção em detrimento da razão. "Só vou aparecer como realmente eu sou quando o meu verbo não estiver sob o controle da razão", disse.

Vencedor do Prêmio Jabuti 2005 (categoria crônica) com o livro "Urgente é a vida", Alcione revelou que o título da obra baseia-se no fato das pessoas cada vez dedicarem menos tempo aos seus desejos. "Você corre o risco de fracassar sua vida por não dar importância ao seu desejo. Aposto mais no seu desejo que na razão, pois a razão está viciada pelos seus limites".

A 4º Bienal começou em 27/05 e termina dia 04/06, com entrada franca, na Fundação Rural, em Campos/RJ, das 10h às 22h. Mais informações no site da prefeitura.

Observação:
Embora Alcione Araújo estivesse na programação do evento,
não encontrei nenhum livro do autor à venda nos estandes de expositores.

foto: fatimanascimento

entre papeis

r e s í d u o s há em todos. não se dissipa a dor (ressignifica-se).