Postagens

O livro

Pedro Lucas caminhava numa praça de seu bairro, onde viu uma jovem sentada sobre a grama. Junto dela, um livro. Curioso, quis saber o que lia. Aproximou-se devagar, olhando para o céu, disfarçando o interesse. O que as palavras daquele livro diziam pra ela? Era a pergunta que Pedro Lucas se fazia. O semblante da jovem era sereno e ao mesmo tempo perturbador... Ora, sorria; ora, enrugava a testa; ora, parecia esboçar um choro.  Já perto, foi surpreendido com uma indagação: - Você sabe ler? Pedro, de início, ficou sem fala... Não queria ser notado... Desejava ler o título do livro. Depois, ir embora. - Sei - respondeu (pela idade, como poderia pensar que não soubesse?). Ela, animada, ficou de pé, e disse: - Você pode dizer o que está escrito aqui? Sem entender, Pedro Lucas segurou o livro. Tinha um trecho que estava sublinhado.  Antes, perguntou o nome dela. - Betânia... Pode me chamar de Bê mesmo! Ajeitou os óculos, colocou o livro diante de si, segurou com firmeza e leu o que estava gr

Fantasia e realidade

Imagem
Três de janeiro de 2021. Parece que foi ontem que o ano 2.000 (dois mil) parecia tão distante... Certamente, todas as pessoas das décadas de 70 e anteriores que agora leem isso, entendem o meu sentimento. Naquela ocasião, a ideia que se tinha era de que quando esta época chegasse, estaríamos mais espaciais (no sentido de transporte no espaço aéreo mesmo) e que a alimentação se daria muito em cápsulas. Muitos destes pensamentos tinham relação com desenhos animados futuristas que assistíamos, como "Os Jetsons" (imagem). Eu me lembro que um de meus desejos era ter uma televisão na palma da mão. E veio o celular com uma tecnologia que nos permite estarmos 24 horas conectados a imagens e sons. Nós poderíamos estar muito felizes com tantos avanços! Mas não é bem assim... A miséria segue em similar proporção. Muita gente ainda sente fome, frio, calor em excesso... morre e mata. Tanta ganância. No livro "Ética da vida" (Editora Letra Viva/2000, fl. 137), Leonardo Boff (teól

Dez anos depois, com o homem do sinal

Dez anos depois, eu me reencontrei com o homem do sinal . Onde? No mesmo semáforo de antigamente, esquina da Barão de Miracema com a movimentada Avenida 28 de Março. Naquele dia, domingo 27, estava sozinha no carro. Ele estava só, sentado no meio fio. Quando vi que era ele, abaixei o vidro. Ele se levantou com a destreza de quem há anos equilibra a vida sobre uma perna. O homem do sinal sorriu o sorriso de outrora, reconhecendo-me. - Você está com o rosto mais cheio! - ele me disse, elegantemente. Em seguida, sem reservas, perguntou se eu havia votado em Wladimir; se tinha filhos, recomendou que eu adote uma criança... Se eu continuava em jornal... Falou que o Monitor Campista (jornal centenário que foi fechado) deveria voltar a circular... Entre o vermelho e o verde do sinal, aquele homem conversou amistosamente.  Na sua lembrança, destacou que certa vez dei a ele uma caixa de halls para venda. Dez anos depois, um gesto simples ainda nutria nele a esperança. A moeda não era o principa

Pegue a rédea da sua vida!

Sem controvérsias... Somos o que pensamos, sabemos, sentimos e o que fazemos. Quem não sabe a razão de cumprir determinada tarefa, dificilmente atingirá metas (ou mesmo terá).  Muita gente com a vida no piloto automático. É preciso vigiar pra não se mais um. 

2021 está logo ali

Há pouco menos de quatro meses para terminar um ano tão atípico em razão da pandemia pelo novo coronavírus, cabe aos sobreviventes desejarem que a mudança de calendário não esteja apenas representada pela nova folhinha pendurada nas paredes das casas (muitos ainda usam), nas oficinas mecânicas de automóveis e no atualizado calendário de mesa em escritórios, consultórios, bancos e repartições públicas. No entanto, seria ilusão pensar que com a virada do ano o malfadado vírus terá ficado no passado.  Enquanto não estiver disponível em massa uma vacina eficaz contra ele, haverá a necessidade de prevenção.  A considerar o que já se observa, é notório que no ano vindouro deverá ocorrer um relaxamento por parte da população e também de governantes quanto aos cuidados para a não propagação do vírus maldito.  E o carnaval? O povo vai preferir "se aliar" ao velho novo coronavírus para não magoar o  rei momo? Ainda que não haja os desfiles oficiais de escolas de samba e blocos carnava

Manobra suicida

Há poucos dias, vi um jovem em avenida movimentada da cidade, fazendo uma manobra radical com a moto em que guiava e sem o uso de capacete. A roda dianteira ficou suspensa num ângulo de 180 graus. Estava perto dele. Ao perceber a manobra, liguei o pisca alerta do carro para que os motoristas que estavam atrás do meu veículo pudessem estar "preparados" para um desfecho trágico. Evidente o deszelo daquele "menino" com a vida. E não apenas com a dele. Talvez pai, mãe, irmãos lamentassem a fatalidade e chorassem a morte prematura. Antes daquela manobra radical, numa transversal, educadamente permiti que tomasse a dianteira do meu carro. Naquele momento nosso olhar se encontrou. O dele parecia vazio. Que pena! Confirmei mais adiante.

mascarados

A máscara cobre o riso. O olhar revela o espanto. A vida passa com pressa. Tem gente dentro dela. (Fátima Nascimento)
Novo ano De novo Ovon ed Ona ovon 1 - 12 12 - 1 + 1d 2020 Quem entendeu?

/dogterapia/

Imagem
Soninho tranquilo da Golden Retriever Kiwi Zuriel, três anos de idade. Ter animal de estimação é uma terapia; ao menos em minha casa.