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26 setembro 2015

Missão

Gentes e Locais/Brincadeira na orla
Foto: Fátima Nascimento





















Esta foto deve ter nove ou dez anos. Gosto dela!
Embora captada com uma câmera menos potente, valeu o registro.
Foi um flagrante bem interessante. Um deles está com nariz de palhaço.

"Já fiz alguém sorrir" deveria estar no currículo de todos.


Fátima Nascimento


20 fevereiro 2015

Variáveis interpretativas d´uma única imagem à luz da teologia

Fátima Nascimento


A imagem ao lado (captada na Bahia, em 2012) fomenta diversas considerações sociológicas. A primeira delas é baseada no pensamento do sociólogo e teólogo Peter Berger, que observa o fato do homem estar em um mundo profano e ainda assim ver coisas sagradas nele e/ou ter pensamentos sacralizados.

            Berger questiona a permanência do sagrado em meio ao profano. Considerando-se tal ideia, vê-se na fotografia que alguém enxergou o sagrado no meio do caos social e escreveu “O Brasil tem jeito: Jesus Cristo a solução”.

            Diferente não foi a percepção da pessoa que captou a imagem. Apesar de viver em um mundo profano, o sagrado interiorizado nela fez com que disparasse o obturador da câmera e exteriorizasse o que via. Afinal, como acentua Berger, toda a realidade é montada a partir de uma visão de mundo sagrado.

            Outra abordagem é quanto ao ex nihilo. Está legitimado na mentalidade de muitos que a solução para tudo está na religião. Logo, quem escreveu o cartaz crê que o fim dos conflitos sociais está em Jesus, ou seja, no sagrado. Este, o sagrado, dá sentido à existência, gesta alegria, sendo, por conseguinte, numinoso – termo cunhado pelo teólogo e filósofo da religião Rudolf Otto.

            Pode-se dizer, ainda, que a imagem representa uma hierofania, i.e., a manifestação do sagrado na terra, no caso em questão por meio da mensagem transmitida no cartaz. Talvez fosse esta a ótica do historiador e filósofo Mircea Eliade, se visse tal cena.
            Destaca-se que a foto revela uma urbanização desordenada: rua mal pavimentada, calçada irregular; e, subjetivamente, os olhares nela parecem vazios de esperança. Em contrapartida, a fala do autor do cartaz é de alguém que acredita que o sagrado colocará ordem no cosmos (cosmogonia).

            Sigmund Freud possivelmente diria que religião é coisa de criança e faria chacota da foto e do que está escrito nela. O historiador Johan Huizinga, contudo, talvez dissesse ser um “jogo”, uma forma de chamar atenção para as mazelas sociais, sendo necessária a entrada em cena de um “salvador da pátria”, que poderia estar representado em candidatos de oposição ao atual governo.


            Enfim, são inúmeras as nuances filosóficas e sociológicas da imagem captada. 



* Análise sócio-teológica de imagem integrante do ensaio 
fotográfico "Marcas na Calçada", de Fátima Nascimento

02 outubro 2014

Permanência


Gostaria de dizer que esta imagem que fotografei em algum dia do passado não tem voz no presente. Não seria verdade.  Então, gostaria de dizer que quando os eleitos nas próximas votações (05/10/14) assumirem seus cargos, cena como esta não se verá em futuro próximo. Não direi, infelizmente.

04 agosto 2013

Presente do Criador


                                                                      Foto: Fátima Nascimento (Pantanal/MS)
 Contemplar a natureza sustenta o meu olhar.
Fátima Nascimento
Posted by Picasa

Direção



                                                                                          Foto: Fátima Nascimento
 Saber onde se quer chegar,
determina o caminho a ser seguido.

Fátima Nascimento
Posted by Picasa

08 fevereiro 2013

Bichos do "meu quintal"

                                                                        Foto: Fátima Nascimento


"Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos".
Manoel de Barros

Mais fotos deste ensaio fotográfico veja aqui.

Bichos do "meu quintal"

                                    Foto: Fátima Nascimento

"Lagarto apressado atravessa o terreiro. 
Olho de angu."
Manoel de Barros



Imagem do ensaio fotográfico "Bichos do meu quintal". 
Para ver outras fotos clique aqui.

13 janeiro 2013

ReNascimento


nasce o sol
colore o rio
sorrio
e sigo
é boa a semente
que cresce
em mim

(Fátima Nascimento)


13 dezembro 2012

Contemplação

                                                             Foto: Fátima Nascimento
De roda
brincam
as nuvens 
e os coqueiros. 

17 fevereiro 2012

Moldura do Olhar



/ praia de atafona /, upload feito originalmente por Fátima Nascimento.
Esta foto clicada por mim em Atafona, São João da Barra/RJ, faz parte do ensaio fotográfico "Moldura do Olhar".

Mais imagens deste ensaio podem ser vistas clicando aqui.

15 agosto 2011

Borboletas

                                                          Foto: Fátima Nascimento

















"Borboletas me convidaram a elas.
O privilégio insetal de ser uma borboleta me atraiu.
Por certo eu iria ter uma visão diferente dos homens e das coisas.
Eu imaginava que o mundo visto de uma borboleta -
Seria, com certeza, um mundo livre aos poemas (...)".
(Manoel de Barros)

06 julho 2011

Superação

                                          Foto: Fátima Nascimento


A esperança deve se sobrepor a dor.



04 julho 2011

O mar preto e branco

















No mar
lá vai o menino
Sua cor, sua graça

Segue, criança
O mar é imenso
A vida, uma dádiva

Colore seu caminho
Põe o verde
Não despreze o branco

De Paz e Esperança
Sempre necessitamos.

(Fátima Nascimento)


13 abril 2011

Força oculta

                                                                        Foto: Fátima Nascimento















o olho busca
há medo e sonho
a esperança teima
e fica

nas mãos, a lida
jaz fechadas pra dor

quer-se o riso
desgosto pelo pranto

na lembrança,
o canto mudo
de ancestrais.

(Fátima Nascimento)

Obs.: Imagem da peça "Ondas da Liberdade" encenada pelo Grupo Teatropoesia Azevedo Cruz.

25 março 2011

Visão

                                                                                                Foto: Fátima Nascimento



















o olho que vê
espreita
o outro

somos vistos
nem sempre sentidos

humanos
desumanos

riso
pranto
choro

vida à deriva
ou não

leme na mão
(melhor)

somos como barcos
na imensidão das águas
ou ancorados no chão


(Fátima Nascimento)
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17 fevereiro 2011

Marcas do tempo


asilo_poesia
Não importa qual asilo de idosos, nele sempre haverá homens e mulheres que têm na face e na fala a marca do tempo. Não faço referência apenas às rugas ou à voz cansada, mas também a calos na memória e frases desconexas. Um deles se aproximará e contará uma estória que você não vai entender. O jeito é fingir-se cúmplice de cada palavra balbuciada sofregamente.

Estive num destes locais que abriga personagens da vida que parecem esperar calmamente pela morte. Dá pra se "ver" anos adiante e ter receio do que o tempo fará conosco. Aos 19 anos visitava com frequência os idosos dum outro asilo. Naquela época, talvez por estar mais longe da velhice, tinha um olhar diferente. Via naqueles senhores e senhoras as figuras de meus avós e não a mim em um futuro.

Adélia Prado em "O tempo", escreveu: "(...) além de velha pecava pela rejeição de sua velhice e pecava feio, aumentando-se por conseqüência e castigo em mais velhice e mais feiúra". Não rejeitar a velhice deve ser fundamental para que ela chegue moderadamente. É como se aceitar de forma gradativa. Ver as mudanças no corpo, na disposição física como reflexos do amadurecimento ou uma conseqüência natural às pessoas que acumulam anos à existência.

Assistindo a uma entrevista do grande poeta Manoel de Barros, concedida aos 90 anos, nutri o desejo de alcançar a sua idade com a mesma lucidez, sapiência e espírito jovial que ele mantém. Invejei – no bom sentido – a sua pureza. Como um homem, aos 90 anos, permanece tão lindamente puro? Não há rastro de contaminação de sentimentos, parecem inexistir pecados velados.

Embora nonagenário, Manoel de Barros tem o olhar de uma criança e suas palavras expressam este enxergar diferenciado. Encanto-me com seus poemas cheios de poesia. Ele ensina que "(...) as folhas das árvores servem para nos ensinar a cair sem alardes".

Se eu chegar ao clímax do amadurecimento etário, Deus permita que seja capaz de despertar em quem estiver por perto um encantamento, senão igual, ao menos semelhante. Aí poderei dizer que eu e o tempo caminhamos lado a lado e que suas marcas não me foram letais.

(Fátima Nascimento)

30 janeiro 2011

Medo de jacaré?

                                                                                               Foto: Fátima Nascimento

Na estrada da nossa vida há ocasiões (geralmente não poucas) em que ficamos um tanto desestimulados. Dá vontade de ter um botãozinho em nós que nos faça hibernar, como que numa desligada de motores para repouso e fuga dos problemas.

Saber quando avançar, recuar, esperar, agir/reagir é importante, mas nem sempre temos a certeza quanto ao que fazer. O bacana é não deixar de acreditar em nossa capacidade de mudança, transformação e manter acesa a luz da esperança, perseverando na busca pela realização de nossos desejos salutares.

Roberto Shinyashiki, médico psiquiatra, fez uma comparação interessante. Ele disse:

"Quando os jacarés aparecerem em seu caminho, resista à tentação de desistir da sua travessia.  Olhe bem para eles e verá que são troncos velhos e inofensivos, incapazes de fazer estrago em sua vida (...). O medo imaginário é apenas um tronco parecido com um jacaré".

Encarar desafios e vencê-los deve se tornar um hábito. Mas só consegue isso quem enfrenta seus medos.

Boa nova semana!
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11 janeiro 2011

Os dias correm

salva-vidas3.dez2003.grussai.fnascimento
Um novo ano. A idéia do novo nos cobra mudança, transformação. Janeiro já vai. E como vai... O dia parece ter pernas e corre alucinadamente como um atleta numa disputa olímpica. Nós somos participantes nesta corrida com o tempo. Ele tem pressa! Muitas vezes parece nos faltar fôlego pra acompanhar o ritmo que ele nos impõe.

Mas não quero encher a bola do tempo e menos ainda a do calendário atual. Vou pegar carona no dito pelo poeta Carlos Drummond de Andrade: “É dentro de você que o ano novo cochila e espera desde sempre”.

É tão bom saber que não dependemos de calendário pra iniciar a mudança dentro de nós. Fazer o novo acontecer em nossas vidas depende do nosso primeiro passo; depende de decisões pessoais; depende do querer; do arregaçar as mangas, não importando em que mês se está.

Sou avessa a formalidades quando o assunto é renovação de atitude. Tem que ser já! Burocracia demais coloca nossos projetos na gaveta e nossos sonhos correm o risco de adormecer. A formalidade congela nossa emoção e a razão fica exausta. Sem emoção e garra não há projeto que alavanque e não há tempo que baste para a concretização do sonho.

Drummond dá a dica: “Para ganhar um ano-novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente”.

Sigamos o conselho do poeta.

entre papeis

r e s í d u o s há em todos. não se dissipa a dor (ressignifica-se).