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11 setembro 2010

Desejo, necessidade…

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A menina vê o mundo
rosa ou de outra cor?
Perguntas sem respostas
dúvidas que calam ou gritam?

Desejar é importante
há quem nada queira
com sonhos afundados em incerteza
pesadelos arregalados no dia

Perguntas importam mais que respostas
Não parar de sonhar
(o desafio)

(Fátima Nascimento)


Foto: Fátima Nascimento

09 maio 2006

Leitura amarga


Existem notícias capazes de causar enojamento que melhor seria não ter conhecimento delas. Mas contrariando o nosso desejo são exatamente as manchetes escabrosas que mais nos atraem. Talvez seja por uma necessidade inconsciente de entender o que motiva pessoas aparentemente tão iguais a nós a atos cruéis e insanos. A informação “Mãe de 16 anos espanca até a morte bebê de dez meses” chamou minha atenção. Mais que isso: deixou-me consternada. O crime ocorreu em Ribeirão Preto no dia 15 de abril.

De acordo com matéria publicada no site “Oi”, a mãe não suportou o choro da criança. O bebê não possuía um botão que o fizesse chorar e parar de chorar, tal qual bonecas que são comercializadas em lojas infantis. Natália era de carne e osso; não resistiu ao espancamento. Segundo laudo do IML, ela teve traumatismo crânio-encefálico e perninhas quebradas.

Atitude que nos leva a questionar “que mãe é essa?”. Ao mesmo tempo em que condenamos sua impaciência e desamor, temos a convicção de que não tinha maturidade pra ser mãe e a quase certeza de que a gravidez foi indesejada. Mas calma lá: não faz muito tempo uma mulher deixou a filha dentro de um saco em um rio. A deste caso já não era adolescente. Não podemos justificar os atos conforme a idade. Parece haver uma maldade entranhada e que vem à tona de repente.

Mas não deve ter sido uma crueldade que provocou a morte de outro bebê há poucos dias. O pai esqueceu a criança dentro do carro. Foi trabalhar. Quando se deu conta, já era tarde. Ela morreu. Tenho pena deste pai, de sua esposa. Uma fatalidade. Mas quando se tem consciência dos atos, a maldade apresenta-se sem máscara e nos agride.

Diz o escritor Alcione Araújo que “o outono é um belo momento no qual a natureza troca de pele, renova-se, rejuvenesce, reúne forças, prepara-se, enfim, para enfrentar o inverno”. A natureza humana também precisa deste tempo. Outras notícias chegarão.
Texto de Fátima Nascimento publicado no Jornal Monitor Campista em 18/04/2006.

26 março 2006

Em busca de risos


“Eu gosto de ler coisa engraçada”, disse minha sobrinha como sugestão sobre o que eu deveria escrever. Para as crianças tudo é muito simples. “Não tem nada simples, é muito complicado”, intrometeu-se, lendo cada palavra que teclo ao computador. Ela confessa que gostaria de ter nascido sabendo tanta coisa que a escola seria desnecessária. Estudar, fazer provas, exercícios são desafios em seu dia-a-dia.

Minha sobrinha é uma privilegiada. Muitas crianças não têm a chance de estudar, sequer sonham em ter uma profissão, constituir um lar quase perfeito. Mas dá pra entender. Quando crianças nós não temos entendimento amplo sobre o que vemos ou sentimos. Deixamos que nosso espírito infantil alce vôo e nos conduza suavemente ao reino encantado da imaginação.

O pensamento viaja quando nos são contadas estórias. Ele nos conduz do presente ao futuro desejado num piscar de olhos. Vez ou outra chega um ser chamado adulto e traz o pequenino de volta ao seu habitat, nem sempre adequado a uma criança.

Embora muito nova, minha sobrinha tem sua preferência. Ela não quer ler sobre meninos e meninas entregues ao vício, fome, prostituição, embora saiba que existem. Não quer ouvir sobre mensalões, mensalinhos, maracutaias outras.

Fez a escolha dela: prefere comédia ao drama, prefere rir a chorar. Quer ler “coisa engraçada”. Eu bem que gostaria de só ter “coisa” divertida a dizer. Não é assim. Mas que bom que essa menininha me faz sorrir...

* Foto by Fátima Nascimento
* Texto veiculado também no Jornal Monitor Campista, onde publico crônicas/artigos semanalmente.

entre papeis

r e s í d u o s há em todos. não se dissipa a dor (ressignifica-se).