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16 março 2011

Nova idade

Esta semana inaugurei uma nova idade. Foi no dia 14 de março. Promovi uma comemoração bem diferente da de anos anteriores (geralmente não há festa). Fui ao encontro de pessoas queridas e festejamos a vida e a esperança que nos move. Momento ímpar: oração, louvores em agradecimento a Deus, bolo, refrigerantes e até bolas de soprar e chapéus - os dois últimos foram surpresas.

Sou grata a Deus pelos anos de experiência que estão acumulados em mim. E meu desejo é que esta bagagem seja fonte de sabedoria; que o aprendizado permita que eu erre menos; que eu não queira uma felicidade sozinha, mas acompanhada de amigos, amor e familiares.

Em tempo de redes sociais, recebi inúmeras mensagens carinhosas no Orkut e Facebook, além de torpedos e telefonemas.

Tanto a agradecer... Obrigada, Senhor Deus!

Compartilho, abaixo, com os leitores do Verbo Solto um texto da escritora e poeta Cora Coralina, com sábios conselhos de uma mulher que publicou seu primeiro livro aos 76 anos de idade.


De Cora Coralina:
"Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice. E digo pra você, não pense. Nunca diga estou envelhecendo, estou ficando velha. Eu não digo. Eu não digo estou velha, e não digo que estou ouvindo pouco. É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.
Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida. O melhor roteiro é ler e praticar o que lê. O bom é produzir sempre e não dormir de dia.

Também não diga pra você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais. Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima.

Eu não digo nunca que estou cansada. Nada de palavra negativa. Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica. Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então silêncio!

Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha não. Você acha que eu sou?

Posso dizer que eu sou a terra e nada mais quero ser. Filha dessa abençoada terra de Goiás.

Convoco os velhos como eu, ou mais velhos que eu, para exercerem seus direitos. Sei que alguém vai ter que me enterrar, mas eu não vou fazer isso comigo.

Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes. O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade. Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso, com esperança. Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor.
Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende".


(Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas. Nasceu em Goiás, em 20/08/1889. Faleceu em 10/04/ 1985, aos 96 anos. Primeiro livro publicado aos 76 anos de idade).


29 dezembro 2010

Entre experts

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Sim, nós usamos óculos e… dançamos!

Encontro bacana com os professores de dança de salão: Marcos Braga e Annelise Leal, em tarde de confraternização.

Quer dançar? Recomendo esta dupla!

14 dezembro 2010

Espanto poético

Viagem ao Pantanal 775

Palavras se ausentam,
às vezes.
Fico sem grafia de mim
e não me leio ou soletro.
Pensamento estanca,
mas quer sangrar poesia.
Sinto presa a voz
numa amordaça de silêncio.
Não quero me dizer o que já sei
temo repetir o que não deveria ser.
Agora muda,
tento mudar o mundo em mim.
Se a poesia nasce do espanto,
como diz Ferreira Gullar, o poeta,
que meu silêncio
tome um susto e grite em versos.

(Fátima Nascimento)

17 novembro 2010

O educador Fernando da Silveira

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Fernando da Silveira e Fátima Nascimento
Há pessoas que em determinado momento estão como “hóspedes” em nossa vida e sempre que a gente encontra tem a sensação de que nunca deixaram de estar presentes, apesar da distância física no decorrer dos anos.

Alguém que me passa essa sensação agradável é o querido Fernando da Silveira: meu professor em cursos de Jornalismo (1988-1991) e Direito (1993-1996).

Fiz questão de registrar o encontro casual com o professor na VI Bienal do Livro de Campos, no dia 14/11, como demonstração de meu carinho e respeito pelo homem e educador Fernando da Silveira, defensor da ética no jornalismo e na vida.

13 novembro 2010

Soletrando-se

aeroportoas palavras escorrem
dos dedos
unidas
versam em versos
sobre nada
e tudo
piram
inspiram
brotam da mente
desmentem
cansadas
elas repousam
na tela,
antes vazia,
preenchem o vácuo
do eu
pontuo
o final
não definitivo
apago o ponto, prefiro
nada termina
tudo começa
palavras escapam
e me letram
soletram

(Fátima Nascimento)

A descoberta do outro na literatura

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Suzana Vargas e Moacyr Scliar no Café Literário da Bienal do Livro de Campos




















“O exercício da medicina ajuda a literatura”, disse o médico e escritor Moacyr Scliar na Bienal do Livro de Campos. Autor de pelo menos 81 livros, Scliar falou, dentre outros assuntos, do conciliar a medicina com a a escrita literária.

Segundo Scliar, os pacientes o ajudaram na função de escritor: “A medicina parte de uma história”. Quando alguém procura o médico conta o que está sentindo e cria fantasias em relação à doença. “É interessante a maneira como as pessoas vivenciam sua doença (…). O trabalho do escritor completa o do médico”.

- A literatura nos ensina a descobrir o outro. Na medicina ocorre a descoberta do outro, doente  - falou o médico e escritor.

Indagado (por mim) sobre a razão do crescimento da dependência química, tanto em relação a medicamentos como em relação às drogas não lícitas, Scliar atribuiu essa realidade à necessidade que muitos têm de “preencher o seu vazio interior, colocar alguma coisa pra dentro”. E disse mais: “Reflete o desamparo em que vivem as pessoas na sociedade”. 

O autor ressaltou que a psicanálise pode ajudar fazendo com que as pessoas se dêem conta do que está acontecendo com elas e reajam positivamente, numa “expressão dos conflitos através das palavras. Na medicina a palavra é terapêutica; na literatura, é estética”.

Moacyr Scliar participou da Bienal do Livro de Campos no dia 11 de novembro, com o tema “O texto ou a vida: aventuras de um médico escritor” e mediação de Suzana Vargas. O evento prossegue até 14 de novembro, no Centro de Campos dos Goytacazes/RJ. Veja a programação AQUI.

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Moacyr Scliar e Fátima Nascimento
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Moacyr Scliar

10 novembro 2010

Lançamento: “Escravidão & Abolição”

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Hélvio Cordeiro e Fátima Nascimento na Bienal do Livro
Hélvio Gomes Cordeiro lançou na Bienal do Livro de Campos nesta quarta-feira, dia 10, o livro Escravidão & Abolição. Hélvio é um pesquisador incansável. Tive a chance de conviver um pouco mais com ele durante o tempo em que trabalhei no jornal Monitor Campista, onde atuou como revisor e responsável pelo arquivo do centenário jornal.

Foi uma satisfação prestigiar o amigo em mais uma etapa de sucesso em sua vida. Outro livro de Hélvio – também histórico – é Carukango O Príncipe dos escravos.

entre papeis

r e s í d u o s há em todos. não se dissipa a dor (ressignifica-se).