Mostrando postagens com marcador conto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador conto. Mostrar todas as postagens

12 fevereiro 2011

Contos que conto

Felicidade pra presente
"O céu estava vestido de azul. As ondas do mar iam e vinham num mesmo ritmo, com calma. Uma brisa suave diferia muito da ventania que levantou a areia no dia anterior. A antítese era Leopoldo. A cada dois minutos conferia no relógio o tempo que faltava pra revê-la. A ansiedade crescia à medida que as lembranças pareciam ganhar vida (...)".


A história completa você acompanha no Verbo Solto em Contos
Clique aqui e leia. 

08 fevereiro 2011

Contos que conto

Abaixo do céu
"Todos os dias ele olhava o céu e franzia a testa como quem força a visão. Em seguida voltava pra dentro de casa. A cena era vista pela manhã, tarde e noite. Havia uma curiosidade entre a vizinhança: o que tanto ele via ou queria ver? Os vizinhos especulavam sobre o assunto (...)".


Quer que eu lhe conte toda a história? 
Veja no VERBO SOLTO EM CONTOS. 
Clique aqui e acompanhe.

05 dezembro 2010

O último dia

IMG_7205Anunciaram que o mundo vai acabar amanhã. Tenho um espetáculo já marcado. Será o último de minha carreira. Quantas pessoas irão ao teatro no último dia de suas vidas?

E eu, o que farei? Vou cumprir o meu último compromisso profissional? Talvez não haja tempo nem para os aplausos. Uma peça sem o fim previsto no script, um final diferente... Quem sabe gritos da plateia, apelos de “nos deixe neste mundo mais tempo” e as perguntas ao Criador: “Por que agora?”.

Terei que improvisar, pular algumas falas e quando ouvir barulhos que sinalizam o fim dos tempos, deixar que pensem ser da sonoplastia do teatro. Assim o público não vai se desesperar. Então vou acelerar o desfecho da encenação.

Faço monólogos. Gosto disso. Sozinho no palco. Mas pela primeira vez queria que não fosse solo. Queria uma mão pra segurar, um olho perto pra contemplar, um riso rindo comigo no tablado. Alguém pra abraçar, aliviando e despistando minha tensão.

E o telefone? Deixo ou não ligado? Nunca vou com ele para o palco, claro. Mas será o dia último. E se aquela pessoa ligar pra dizer o que desejo ouvir há tanto tempo? Mas poderá ser um cobrador dizendo que é a minha última chance de pagar o débito e pode alertar que os “devedores vão para o inferno”. Tenho que decidir também isso. Ela, as dívidas, meu compromisso, aplausos silenciosos, minha missão. 

Missão? Caramba, será que cumpri minha tarefa neste mundo? Deu tempo? Não sei. O telefone está tocando... Quem será? Não conheço esse número. Vou atender. Uma voz de menino do outro lado da linha.

- Meu nome é Vinícius. Você não me conhece.

- E o que você quer? - logo perguntei.

- Eu tenho um sonho. Preciso de sua ajuda.

- Como assim? O que posso fazer? Que sonho é esse?

- Trabalhar em teatro.

- E daí?

- Deixa eu fazer a peça com você amanhã?

Fiquei um tempo sem fala. Passou um filme na minha cabeça. Lembrei de mim criança, da minha batalha pra estar no palco, das portas fechadas, das que se abriram pra que tudo acontecesse...

- Você escutou o que eu disse? – voltou a falar o menino, estranhando meu silêncio.

- Oi, estou aqui. Escutei, sim. Espero você no teatro amanhã, na hora do espetáculo. Vou ver o que a gente pode fazer.

- Tem mais uma coisa – anunciou o garoto.

- Tem? O quê?

- Quero segurar sua mão, ver seu olhar e sorrir pra você na hora que tudo acabar.

Gelei por dentro. Esse menino leu meus pensamentos? Então, perguntei:

- Quer sorrir? Por que se o mundo vai estar acabando?

- Porque você vai ter me ajudado a realizar meu sonho. E vou pegar na sua mão porque uma nova estrada vai começar e estaremos juntos e vou beber no seu olhar o gosto da missão que você cumpriu: a de emocionar por meio da arte.

Eu me despedi do menino. Desliguei o telefone. E fui dormir em paz. 

(Fátima Nascimento)

02 novembro 2010

O intruso noturno

Quase meia noite. Abriu a porta que dava acesso à varanda. Ele estava lá, confortável na cadeira. Disse-lhe palavras repetidas da noite anterior e da anterior àquela. Nada adiantava. Olhava atento pra ela. Nunca foi convidado. Mas isso não tinha importância. Não era necessário  convite para que entrasse onde houvesse passagem para ele. Nas primeiras noites dera-lhe comida. Parecia bem-vindo.

Mas naquele dia estava decidida. Se ele voltasse, daria um jeito naquela situação para que não mais aparecesse. E foi assim que à uma da madrugada, destemida, saiu com ele pelas ruas da cidade. Havia premeditado. Ela o deixaria bem longe da varanda de sua casa, distante de seu olhar compadecido.

Voltou pra casa. Custou a pegar no sono. Uma hora depois foi até a varanda. E lá estava ele outra vez na cadeira. Cansada, nada mais fez naquela noite. Mas se lembrou do ditado que diz que "gato escaldado tem medo de água fria". E já planeja dar um "banho" nele.

O que ele ainda não sabe (e ela teme que descubra) é que dentro de casa mora o Fábio, um frágil passarinho. E o intruso gato pode estar faminto numa próxima "visita".

(Fátima Nascimento)


Obs.: história verdadeira

11 agosto 2010

O conselheiro


Foi numa tarde à beira-mar que a vi. Ela contemplava o horizonte e se emocionava com o vai e vem das ondas. A mulher parecia dialogar com o mar. Pude ouvir algumas de suas palavras.

Dizia, definindo-se, que era uma pessoa “incerta”, dúvidas vestiam-na. Fiquei curiosa com o discurso daquela mulher. De repente, disse bem alto:

- Não vou abrir mão do que gosto!

O mar, que estava calmo, ficou agitado. Mas durou pouco tempo. Novamente sereno, uma voz ecoou da imensa água.

- Minha amiga, a vida e o tempo são generosos contigo... Olhe ao seu redor... Veja suas conquistas... Não cubra os olhos... Esteja alerta... Não despreze sua intuição... Não construa problemas... Não crie “fantasmas”! Quem disse que tem que abdicar do que tanto gosta? Será que não é você quem está se dizendo isso?

Ao ouvir aquele papo mulher-mar, senti-me uma pérola fora da concha; um céu sem nuvem; uma música sem som. Não conhecia a história.

O conselho do mar, decerto, foi útil àquela mulher. E me servirá para que “fantasmas” não me impeçam de caminhar.

(Fátima Nascimento)
 
 
Foto: Fátima Nascimento   Local: Praia de Copacabana, Rio de Janeiro/RJ

entre papeis

r e s í d u o s há em todos. não se dissipa a dor (ressignifica-se).