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22 dezembro 2010

Meu jeito

                                                                                  Foto: Fátima Nascimento















sou desprovida
de superstição

passo debaixo de escada
não fujo do gato preto

não uso, necessariamente,
o branco na virada do ano

pulo ondas em qualquer época
na verdade, deixo que me cubram

não jogo flores ao mar,
embora ame o mar

viro o ano
sem uvas
sem champanhe
e até sem festa,
geralmente

não vejo shows da virada na tv

durmo
acordo sem ressaca

acho que sou exceção.

(Fátima Nascimento)

07 dezembro 2010

O ano termina, outro chega

wayPoucos dias para o final de mais um ano. Lembranças de lutas pessoais e profissionais, de momentos de ilusão que fazem amadurecer. Mas há muitas vitórias e sou grata a Deus por elas. Sequências de quedas, colos, superação.

Mais uma vez me decepcionei com gente, mas também aprendi tanto com GENTE. Puxei minha orelha diversas vezes. Repeti erros. Acertei outras vezes. Uma missão me foi revelada.

Em alguns momentos vesti uma “armadura de soldado” para não ser machucada e não ferir outros com palavras duras que podiam saltar do meu coração. Eu me arrependo quando digo certas coisas. E dói em mim dizê-las.

Corri do perigo e fui ao encontro dele. Fui tola e sábia. Fui neutra e ativa. Fui ingênua e maliciosa. Acreditei em palavras bonitas, em botões de rosas arrancadas do pé e que nunca se abriram. Li gestos de forma errada; ouvi o que não foi pronunciado; criei expectativas equivocadas. Guerreei.

Aprendi dança de salão, mas sei que falta muito pra eu fazer bonito no tablado. Segui a intuição. Encantei. Desencantei. Iludi. Desiludi. Vivi cada instante com esperança e entrega. Eduquei ainda mais a minha sensibilidade por meio da arte. Tentei aprender sax!

A menina misturou-se a mulher. E se brincaram. E se cansaram. E se deixaram, às vezes. Escrevi tanta poesia que dá pra publicar um livro (falta patrocínio). Fotografei muito, mas ainda menos que gostaria. Viajei. Driblei o desânimo. Eu me vesti de sol e de lua. Chorei a morte de um cão leal. Conheci novas pessoas e desejei não ter conhecido outras.

Foi um ano difícil. Foi um ano fácil. Foi um ano contraditório. Um ano de guerra civil no Rio de Janeiro e fiz a pergunta de muitos: “Por que demorou tanto?”. Recordei um tio assassinado no Rio. Questionei (e questiono) o que falta pra que estas ações aconteçam em cidades de menor porte, onde traficantes já ostentam poder em “seu” território.

Fui água que ara a terra. Cultivei o verde. Espinhos me feriram, mas insisti e vi rosas e flores desabrocharem lindamente em minha varanda. Conversei com os pássaros, com as plantas, com o céu e especialmente com o dono do Universo. Fui filha amável e respondona, irmã ausente e presente, tia coruja e educadora. A música embalou meus dias e noites, preencheu silêncios, abafou sons.

Estou inteira. Madura. Mas tenho muito ainda a aprender e realizar. Quiçá ensinar. E como me realizo com isso! Ano novo. Mais experiência. Vontades. Projetos. Sonhos que se renovam. Nascimento diário.

Que os versos e verbos falem de mim, em mim. Que sejam alento e jardim onde pensamentos aflorem e façam alguma diferença num mundo em que a individualidade é crescente. Que eu não me torne um deles.

Que o SER supere o TER. Que o BEM prevaleça em mim, em nós. Que Deus nos abençoe e proteja, sempre. Amém.

(Fátima Nascimento)

entre papeis

r e s í d u o s há em todos. não se dissipa a dor (ressignifica-se).