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17 agosto 2010

Deleite da infância

Os cabelos grisalhos de meu pai não encabulam minha peraltice; celebram a vida. Que o tempo não cale a ternura e não intimide os sonhos (realizados e renascidos).

paiQuando eu tinha 13 anos de idade, ele  me disse, preocupado, que não gostaria que eu presenciasse discussões familiares. Temia que eu repetisse tais comportamentos em minha vida.

Naquela ocasião, com uma sabedoria infantil, eu lhe disse: – Eu sei como não deve ser; o que não quero pra mim.

Naquele mesmo dia, pela primeira vez, vi meu pai chorar.

Há poucos dias conversava com um grupo de homens e compartilhamos a crônica “Criança adormecida”, escrita por mim em 2004. Debatemos algumas ideias daquele texto.

Um deles, entre 45 e 55 anos, disse que não teve infância e nem adolescência. Outros falaram de más companhias que tiveram, da falta de atenção dos pais. E ainda houve quem disse ter uma família “bacana”, com recurso financeiro, mas era infeliz.

A nossa reflexão foi excelente. Vejo naquelas pessoas sementes sendo germinadas. Um jardim cultivado para que sejam colhidas e repartidas “flores” que estão tomando consciência de seus limites, mas também de sua força.
 
Onde foi parar a criança que um dia você foi? A criança destemida, a que esbravejava diante de uma “injustiça”, a que era amável, a que sonhava?

Não dá pra ter a ingenuidade de outrora, mas podemos resgatar a alegria da juventude e a autenticidade terna da infância.

09 agosto 2010

Apelo



novo rumo
longe
noutro lugar
dentro, a mesma
menina inquieta
que não morra
renasça em cada lugar
luz que brilhe
em mim
vinda do Pai
é o que desejo.

(Fátima Nascimento)

Manoel de Barros, o poeta, disse: "Quando eu crescer, vou ficar criança". Manoel, eu também!

08 agosto 2010

Temperança

Cultivo
sorrisos de criança
e sementes de ternura
no tempo.
Colheitas no presente.


entre papeis

r e s í d u o s há em todos. não se dissipa a dor (ressignifica-se).