A depender
do autor,
quando
o GRITO sai,
muita
voz foi engolida
(ou abafada).
Participei de uma atividade que me levou a refletir sobre as construções da nossa imagem no imaginário de outras pessoas; e a forma que tendemos a vestir a "roupa" que os Outros supõem caber em nós.
Ao pensar sobre essa questão, constatei que estou no exercício de destecer o que teceram sobre mim ao longo do tempo: não sou a "certinha"; a que diz "sim", sempre; a que não esbraveja; a que não se ira...
Há um peso na nossa desconstrução no imaginário alheio (e no nosso também).
É preciso seguir, no entanto. É no caminhar que a vida acon_tece.
Em casa,
o direito ao berro
devia ser universal.
Em regra,
portas e janelas alheias espreitam,
assombradas.
É preciso saber muito de si
para não se alienar ao discurso
de Outros;
e sustentar o direito à saída
do grito interior.
No silêncio,
as ondas do mar
ganham voz;
os passarinhos gorjeiam,
intensamente.
O silêncio revela o que tem importância.
Penso que todo jornalista (ainda que há tempo não ativo no ofício) tem uma necessidade latente de expressão verbal (especialmente os que laboravam com a palavra escrita). Ao menos pra mim é assim.
Ao final do meu trabalho oficial na área de Comunicação Social (2002), estive quatros anos como cronista semanal (voluntária) em periódico impresso da cidade (Jornal Monitor Campista), sendo, na ocasião, agraciada com o título "Jornalista Poeta" porque consideraram que minhas narrativas do cotidiano tinham algum (ou muito) lirismo.
Fato é que, depois da minha fase de comprometida cronista, ao deixar de publicar semanalmente no jornal impresso, estive, efetivamente, um tempo com a escrita poética presente em minha expressão textual. Os novos leitores (esperança!) poderão verificar isso ao vasculhar arquivos pretéritos.
Embora ame escrever, fui "engolida" por afazeres profissionais de outra área de atuação (Direito), compromissos familiares etc. A consequência - como se vê por aqui - foram fases de intenso silêncio, com algumas tentativas de retomada.
Talvez esteja escrevendo isso para dizer pra mim mesma que não se deve abandonar o que nos é essencial (e salutar).
Que não seja apenas mais uma "espanada na poeira".
Estou viva e preciso respirar.
A depender do autor, quando o GRITO sai, muita voz foi engolida (ou abafada).