Cantiga de acordar
Uma vez por ano os adultos poderiam voltar a ser crianças. Maneira de dizer, claro. É impossível retroceder quanto à idade. Mas que tal se a cada 21 de março, quando se comemora o Dia Mundial da Infância, resgatássemos pensamentos e atitudes que nos acompanhavam quando subíamos em árvores, dávamos cambalhotas, soltávamos pipa, brincávamos de roda, de boneca, fazíamos travessuras que arrancavam sorrisos de faces sisudas.Não proponho que deixemos responsabilidades pra lidar com brinquedos, plantar bananeira no meio do escritório ou se pendurar no galho de uma árvore em plena calçada. Mas podemos fechar nossos olhos por alguns instantes e nos observarmos. Será que nos tornamos tão somente resultado do meio em que vivemos depois de adultos, cedendo a pressões, atendendo expectativas de outras pessoas, sendo tratores sobre vidas humanas? Ou mantivemos nossa integridade, inocência, justiça e lealdade?
Se “cada pessoa pensa como pode...”, como disse Mário Quintana, eu desejo poder pensar como criança não apenas uma vez ao ano. Contudo, entendo que é preciso também matutar como “gente grande” pra não cair na armadilha de quem sepultou em definitivo a pureza do passado de cada um de nós. Muitos já não entendem a linguagem de um adulto-criança.
Thiago de Mello acredita “que os homens, embora se façam de fortes, se façam de grandes, no fundo carecem de aurora e de infância (...) porque é de amor que o mundo tem precisão”. Se tiver uma criança dormindo em você, acorde-a pra que uma nova história seja contada e vivida.

















