22 dezembro 2009
07 dezembro 2009
Nas linhas do rosto
Depois de vinte anos voltei ao asilo que visitava no início de minha juventude. Meus cabelos ainda não estão brancos como os daquelas senhoras e nem dores no corpo me acompanham, felizmente.
Apesar dos anos somados à minha idade, fiquei contente em perceber que a sensibilidade não mudou. Evidentemente que uma maturidade me acompanha; um novo olhar sobre a velhice, uma compaixão diferente e uma sensação, quase certeza, de impotência.
Vi rostos conhecidos e deixei de ver tantos outros, mas percebi nos novos moradores características das senhoras com quem eu conversava em minhas primeiras visitas ao asilo.
Lembrei com alegria de uma antiga habitante daquele lugar – na época com 100 anos – que cantava e eu registrava a voz dela no gravador. Foi emocionante quando se ouviu cantando, sem saber que estava sendo gravada e sem enxergar o gravador, uma vez que já sem a visão.
Percorri todos os alojamentos. Vi todas as camas. Seus armários e simples pertences. Chamou minha atenção um pequeno ser debaixo de um lençol, sem que alguma parte do corpo estivesse à mostra. O tamanho era de uma criança pequena, mas, por certo, tratava-se de uma mulher bem madura. Como tive vontade de ver seu rosto...
Ao conversar com uma senhora ela se lembrou de uma música que disse ter sido proibida de cantar por causa da guerra. Uma canção que falava do Brasil – um país varonil. “Não é mais proibido. A senhora pode cantar.” E ela cantou...
Mulheres maduras na idade. Experientes na vida. Sedentas de atenção ou já isentas de vontades. E quando conversam falam de histórias tão passadas e nem todas sabem a idade que possuem. Mas os anos de vida são mero detalhe naquele celeiro de brava gente brasileira.
O Brasil da antiga ditadura, da contemporânea corrupção, da idolatria monetária não é sempre pátria gentil pra quem arduamente lutou por um sustento digno, uma moradia justa, uma educação de qualidade para seus filhos e netos. Não vi no asilo pais de marajás, nem marajás. Vejo um descaso social. A instituição em si não é culpada.
Falta a alardeada vontade política. Falta justiça social. Falta humanidade. Falta “ler” nas linhas daqueles rostos as histórias individuais e respeitá-las. E não permitir que o ponto final seja o abandono da sociedade.
Apesar dos anos somados à minha idade, fiquei contente em perceber que a sensibilidade não mudou. Evidentemente que uma maturidade me acompanha; um novo olhar sobre a velhice, uma compaixão diferente e uma sensação, quase certeza, de impotência.
Vi rostos conhecidos e deixei de ver tantos outros, mas percebi nos novos moradores características das senhoras com quem eu conversava em minhas primeiras visitas ao asilo.
Lembrei com alegria de uma antiga habitante daquele lugar – na época com 100 anos – que cantava e eu registrava a voz dela no gravador. Foi emocionante quando se ouviu cantando, sem saber que estava sendo gravada e sem enxergar o gravador, uma vez que já sem a visão.
Percorri todos os alojamentos. Vi todas as camas. Seus armários e simples pertences. Chamou minha atenção um pequeno ser debaixo de um lençol, sem que alguma parte do corpo estivesse à mostra. O tamanho era de uma criança pequena, mas, por certo, tratava-se de uma mulher bem madura. Como tive vontade de ver seu rosto...
Ao conversar com uma senhora ela se lembrou de uma música que disse ter sido proibida de cantar por causa da guerra. Uma canção que falava do Brasil – um país varonil. “Não é mais proibido. A senhora pode cantar.” E ela cantou...
Mulheres maduras na idade. Experientes na vida. Sedentas de atenção ou já isentas de vontades. E quando conversam falam de histórias tão passadas e nem todas sabem a idade que possuem. Mas os anos de vida são mero detalhe naquele celeiro de brava gente brasileira.
O Brasil da antiga ditadura, da contemporânea corrupção, da idolatria monetária não é sempre pátria gentil pra quem arduamente lutou por um sustento digno, uma moradia justa, uma educação de qualidade para seus filhos e netos. Não vi no asilo pais de marajás, nem marajás. Vejo um descaso social. A instituição em si não é culpada.
Falta a alardeada vontade política. Falta justiça social. Falta humanidade. Falta “ler” nas linhas daqueles rostos as histórias individuais e respeitá-las. E não permitir que o ponto final seja o abandono da sociedade.
23 novembro 2009
Vestígios
20 novembro 2009
O jornalismo e a ciência
Durante sua explanação, Canellas exibiu três reportagens especiais sobre o cerrado brasileiro, tendo como base estudos realizados por pesquisadores.
"O papel do escritor é jogar uma luz sobre o que está obscuro. O mesmo deve fazer o jornalista", disse.
O jornalista participou do Pré-Simpósio de Jornalismo Científico. O simpósio propriamente dito será realizado dias 25 e 26 de novembro, na Uenf, em Campos/RJ, a partir das 16h.
Foto: FNascimento
06 janeiro 2008
Embarcamos!
Estamos em 2008. Embarcamos para uma viagem, se Deus permitir, de 366 dias (ano bissexto). Boa viagem pra todos! Levemos na bagagem um tanto de sabedoria, amor, compaixão e tolerância.
22 julho 2007
Durante a Flip, em Paraty
Os poemas
by Mário Quintana
Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti.
Imagem captada por mim na 5ª Feira Literária Internacional de Paraty em julho/2007.
Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti.
Imagem captada por mim na 5ª Feira Literária Internacional de Paraty em julho/2007.
Sinal de vida
Caramba, há quanto tempo não postava aqui. Gosto muito do formato deste blog no blogger, mas mantenho meu VERBO SOLTO no Blog-se, pois lá eu o iniciei. Daqui aprecio as opções para postagem de fotos e de texto, com ferramenta fácil de ser usada. Verei ainda o que farei... De qualquer forma, se chegou aqui - você que me lê -, ficarei feliz em recebê-lo em http://www.verbosolto.blog-se.com.br
02 janeiro 2007
Crônica
"Broncas vindas do céu". Leia no Comunique-se.
Pessoal, tenho postado mais no Verbo Solto do Blog-se.
Até lá!
Pessoal, tenho postado mais no Verbo Solto do Blog-se.
Até lá!
12 novembro 2006
Embriagados de palavras
Início da noite de sábado. Hora marcada, não para chegar numa festa ou na sessão de cinema. Reunião informal para “beber” palavras. Nove pessoas – entre elas, eu – embebedaram-se do poeta Manoel de Barros. Conversamos sobre sua obra, a forma que expressa idéias e sentimentos, como “moleca o idioma”. Lemos e ouvimos textos escritos por ele. Uma noite agradável e diferente, que se pretende seja repetida uma vez a cada mês.
Não se trata de encontro de intelectuais. Nem me considero como tal, embora para meu sobrinho de nove anos o fato de eu ter algum conhecimento de inglês me confira o adjetivo “inteligente”. Definimos quem será o autor-estudado na próxima reunião. A Clarice Lispector. Tenho curiosidade em saber mais sobre as obras dela; conhecer vários de seus textos. Uma leitora certa vez disse que tenho um pouco dela em minha expressão textual. Não me atrevo a comparar.
Lembro-me de numa palestra, o escritor e roteirista Alcione Araújo ter mencionado a dificuldade que algumas pessoas têm de compreender que há quem prefira ficar em casa lendo um bom livro a sair pra festas. Suponho que todos os participantes do encontro ao qual me referi aceitariam bem a justificativa “Desculpe, não aceitei seu convite porque estava envolvida com uma leitura maravilhosa e não quis interromper”.
Recentemente, terminei de ler “Nem mesmo todo o oceano” do próprio Alcione Araújo. Foram quase oitocentas páginas de um romance, cuja obra recomendo. Deixei de ir a uma festa, não exatamente devido à leitura – que pelo volume precisou ser pausada muitas vezes –, mas confesso que lia o livro enquanto a festa acontecia.
Reuniões como a que citei deveriam ocorrer às milhares. Ouvimos idéias escritas e ditas por outros; concordamos ou discordamos. Mas respeitamos. “Lugar sem comportamento é coração”, alerta Manoel de Barros. Coração empedrado não deveria existir nem mesmo fora dos poemas.
19 agosto 2006
Exercício do silêncio
O mês de agosto carrega com ele um pré-conceito evidenciado quando se diz que é o mês do desgosto. Questões históricas à parte, muita gente agarra-se a palavras balbuciadas num tempo qualquer e sai a repetir incoerências. Talvez até fizessem sentido numa ocasião, mas hoje são inoportunas e insensatas.
“Falem mal, mas falem de mim”. Eu já disse isso, você já deve ter dito. Mas de maneira nenhuma me encaixo na frase. Se for pra falar mal, prefiro que não mencione meu nome! Temos pressa desmedida em dizer alguma coisa e podemos ser carrascos de nós mesmos ao agir assim.
Uma amiga aconselha que exercitemos o silêncio, mas ela reconhece que tem dificuldade de colocar a façanha em prática. Não que devamos emudecer, baixar a cabeça, não se defender, mas ao menos dominar a ânsia de contra-atacar. O silêncio pode ser a melhor resposta. O olhar se comunica; o corpo se comunica. Nem sempre a voz é o instrumento mais adequado.
Reconheço que com o tempo nos vemos à beira de uma explosão “palavresca”, que geralmente nada acrescenta ou resolve. Aquele velho método de contar até dez não funciona quando o grau de saturação é intenso e inflamado. “Estou cansada de gente”, ouvi uma mulher dizer após ser atendida eficazmente numa repartição pública. Ela externou seu rancor, sua raiva do “mundo”. Cansou dela mesma.
Já pensou chegar ao extremo de não confiar em ninguém? Temos inimigos ocultos; inimigos declarados. Somos o algoz de alguém mesmo sem saber. Fantasiamos. Fantasiam. Muitas verdades precisam ser ditas, mas a hora e a maneira de dizer precisam ser descobertas e aprendidas. Só temos a resposta quando praticamos o silêncio.
“Falem mal, mas falem de mim”. Eu já disse isso, você já deve ter dito. Mas de maneira nenhuma me encaixo na frase. Se for pra falar mal, prefiro que não mencione meu nome! Temos pressa desmedida em dizer alguma coisa e podemos ser carrascos de nós mesmos ao agir assim.
Uma amiga aconselha que exercitemos o silêncio, mas ela reconhece que tem dificuldade de colocar a façanha em prática. Não que devamos emudecer, baixar a cabeça, não se defender, mas ao menos dominar a ânsia de contra-atacar. O silêncio pode ser a melhor resposta. O olhar se comunica; o corpo se comunica. Nem sempre a voz é o instrumento mais adequado.
Reconheço que com o tempo nos vemos à beira de uma explosão “palavresca”, que geralmente nada acrescenta ou resolve. Aquele velho método de contar até dez não funciona quando o grau de saturação é intenso e inflamado. “Estou cansada de gente”, ouvi uma mulher dizer após ser atendida eficazmente numa repartição pública. Ela externou seu rancor, sua raiva do “mundo”. Cansou dela mesma.
Já pensou chegar ao extremo de não confiar em ninguém? Temos inimigos ocultos; inimigos declarados. Somos o algoz de alguém mesmo sem saber. Fantasiamos. Fantasiam. Muitas verdades precisam ser ditas, mas a hora e a maneira de dizer precisam ser descobertas e aprendidas. Só temos a resposta quando praticamos o silêncio.
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