19 junho 2015
18 junho 2015
Gaveta de viagens
Há lugares que deixam em nós uma vontade de "quero mais". O Pantanal é pra mim esse lugar. É bom quando retemos nas lembranças um álbum de alegrias. Vez ou outra vamos em nossa mente e abrimos a gaveta das viagens.
Muitas imagens captei por lá. O bom é poder revê-las e de alguma forma sentir novamente o gosto de ter testemunhado as maravilhas criadas por Deus naquele paraíso ecológico.
As imagens captadas por mim renderam-me a exposição fotográfica "Dois Olhares", em dupla com o poeta Manoel de Barros. Cada foto era brindada com a poesia do querido poeta pantaneiro, com autorização dele.
Um privilégio e tanto!
17 junho 2015
sintonia
o relógio é cúmplice
do tempo.
Fátima Nascimento
Ilustração:
http://i01.i.aliimg.com/wsphoto/v0/1718524291_2/2015-tempo-limitado-novas-mulheres-rel%C3%B3gios-feminino-rel%C3%B3gio-de-quartzo-feminino-belo-presente-para-a-mulher.jpg
16 junho 2015
provocação
tem um silêncio cutucador
dizendo que deseja falar
(é tempo de voltar ao verbo solto)
Fátima Nascimento

dizendo que deseja falar
(é tempo de voltar ao verbo solto)
Fátima Nascimento
Ilustração:
http://www.claudiaferro.com.br/wp-content/uploads/2011/11/o-silencio-2.jpg
15 junho 2015
desconhecida
tem uma palavra
guardada
no canto da boca.
(Fátima Nascimento)
Imagem:
http://i2.r7.com/data/files/2C92/94A3/2457/7537/0124/5A58/F2FC/46EC/labios-cuidados-mg-20091015.jpg
09 março 2015
Mulher: novas e velhas batalhas
Não desejo falar de flores, mas
expressar um sentimento de inquietação. As mulheres que tanto batalharam pela
liberdade de expressão, valorização no mercado de trabalho, pelo direito de
voto e de serem votadas, na atualidade colocam algemas em si. A mulher torna-se
escrava de padrões estéticos e de pensamentos pensados por outras pessoas, sem
questionar.
O erotismo está presente em
novelas e na vida real. A mulher permite-se vulgarizar e ser objeto. Ficam satisfeitas
quando têm a entrada franqueada em casas noturnas, sendo “iscas” para atrair fregueses
e ficam embriagadas com doses mais baixas de álcool. Daí, em alguns lugares, o
ingresso delas ser autorizado antes do acesso dos homens, pois, quando eles
chegam, elas estão alcoolizadas.
A mulher adere à moda, mesmo que a
roupa não lhe seja apropriada. Não quer parecer démodé. Olha-se no espelho e nota
que o tempo escreve por meio de linhas. Vaidosa e orgulhosa, inicia processo de
deformação de seu rosto.
Mães vestem suas pequeníssimas meninas
como uma mocinha em miniatura. A consequência é a exaltação à vaidade e
sensualidade precoce. Quanto aos meninos, têm a chance de educá-los para que
sejam maridos respeitosos e participativos no lar, mas se omitem.
Peço desculpas se as palavras
nada têm a ver com você. Porém, quantas mulheres conhece? O “Dia Internacional
da Mulher“ lembra-nos que a vitória só é alcançada por quem sabe o propósito da
luta. Outras batalhas precisam ser vencidas. O período de alistamento está
aberto. E por tempo indeterminado.
Fátima Nascimento
20 fevereiro 2015
Variáveis interpretativas d´uma única imagem à luz da teologia
Fátima Nascimento
A
imagem ao lado (captada na Bahia, em 2012) fomenta diversas considerações sociológicas. A primeira delas é
baseada no pensamento do sociólogo e teólogo Peter Berger, que observa o fato
do homem estar em um mundo profano e ainda assim ver coisas sagradas nele e/ou
ter pensamentos sacralizados.
Berger questiona a permanência do
sagrado em meio ao profano. Considerando-se tal ideia, vê-se na fotografia que
alguém enxergou o sagrado no meio do caos social e escreveu “O Brasil tem jeito: Jesus Cristo a solução”.
Diferente não foi a percepção da
pessoa que captou a imagem. Apesar de viver em um mundo profano, o sagrado interiorizado
nela fez com que disparasse o obturador da câmera e exteriorizasse o que via.
Afinal, como acentua Berger, toda a realidade é montada a partir de uma visão
de mundo sagrado.
Outra abordagem é quanto ao ex nihilo. Está legitimado na mentalidade
de muitos que a solução para tudo está na religião. Logo, quem escreveu o
cartaz crê que o fim dos conflitos sociais está em Jesus, ou seja, no sagrado.
Este, o sagrado, dá sentido à existência, gesta alegria, sendo, por
conseguinte, numinoso – termo cunhado pelo teólogo e filósofo da religião
Rudolf Otto.
Pode-se dizer, ainda, que a imagem
representa uma hierofania, i.e., a manifestação do sagrado na terra, no caso em
questão por meio da mensagem transmitida no cartaz. Talvez fosse esta a ótica do
historiador e filósofo Mircea Eliade, se visse tal cena.
Destaca-se que a foto revela uma
urbanização desordenada: rua mal pavimentada, calçada irregular; e,
subjetivamente, os olhares nela parecem vazios de esperança. Em contrapartida,
a fala do autor do cartaz é de alguém que acredita que o sagrado colocará ordem
no cosmos (cosmogonia).
Sigmund Freud possivelmente diria
que religião é coisa de criança e faria chacota da foto e do que está escrito
nela. O historiador Johan Huizinga, contudo, talvez dissesse ser um “jogo”, uma
forma de chamar atenção para as mazelas sociais, sendo necessária a entrada em
cena de um “salvador da pátria”, que poderia estar representado em candidatos
de oposição ao atual governo.
Enfim, são inúmeras as nuances
filosóficas e sociológicas da imagem captada.
* Análise sócio-teológica de imagem integrante do ensaio
fotográfico "Marcas na Calçada", de Fátima Nascimento
05 fevereiro 2015
Mudar para progredir
Estou lendo "Cristianismo Puro e Simples", de C.S. Lewis. Li um trecho do livro que faz muito sentido, a saber:
"Todos nós queremos o progresso. Progredir, porém, é aproximarmo-nos do lugar aonde queremos chegar. Se você tomou o caminho errado, não vai chegar mais perto do objetivo se seguir em frente. Para quem está na estrada errada, progredir é dar meia-volta e retornar à direção correta; neste caso, a pessoa que der meia-volta mais cedo será a mais avançada".
Dentre as diversas reflexões que fiz, destaco em relação aos usuários de drogas. Quem usa DROGAS pegou o caminho errado, deixou de progredir em relação ao estudo, trabalho, família etc. Se seguir na drogadição, ficará mais longe do progresso. Tem que DECIDIR MUDAR A ROTA e admitir que vacilou.
E a sua reflexão, qual é?
14 novembro 2014
Manoel de Barros: o grande menino poeta
Na vida há momentos que temos vontade de eternizar em nossa memória. Acontecimentos que a cada recordação é como se voltássemos no tempo e de alguma forma revivemos a emoção daquele instante, como se atemporal fosse. É assim que me sinto quando falo, leio ou escrevo a respeito de Manoel de Barros, o poeta pantaneiro que se tornou universal.
A notícia da morte de Manoel de Barros nesta quinta 13/11/14, aos 97 anos, trouxe-me tristeza e contentamento. Explico o antagonismo: triste por saber que sua família, especialmente sua esposa, chora um choro sentido de quem perdeu partes dela mesma. Contentamento no viés da gratidão a Deus por ter sido agraciada pela oportunidade ímpar de ter estado ao lado daquele grande menino, em Campo Grande/MS, no ano de 2009, quando ele estava com 92 anos; bem como por conhecer sua obra e ser fisgada pelo seu estilo original e puro.
Tive o privilégio de em outubro de 2009, realizar a exposição fotográfica "Dois Olhares" em parceria com Manoel de Barros, na cidade de Campos/RJ. Meu olhar fotográfico acompanhado do olhar poético do Manoel. Ele, gentilmente, me autorizou - por escrito - a utilizar fragmentos de sua poesia na mostra de fotos.
Após ter estado com ele (em sua casa) escrevi o texto "Manoel por mim" (ele escreveu "Manoel por Manoel") que transcrevo abaixo, de forma a registrar mais uma vez a minha ternura e admiração pelo tão querido Manoel de Barros, homenageando-o.
Agradeço a Deus pela dádiva de viver e ter a oportunidade de momentos como os que já vivi. Que o Senhor capacite-me a cada dia para enxergar conforme seu propósito. Que Deus conforte familiares e amigos de Manoel. Assim seja!
A notícia da morte de Manoel de Barros nesta quinta 13/11/14, aos 97 anos, trouxe-me tristeza e contentamento. Explico o antagonismo: triste por saber que sua família, especialmente sua esposa, chora um choro sentido de quem perdeu partes dela mesma. Contentamento no viés da gratidão a Deus por ter sido agraciada pela oportunidade ímpar de ter estado ao lado daquele grande menino, em Campo Grande/MS, no ano de 2009, quando ele estava com 92 anos; bem como por conhecer sua obra e ser fisgada pelo seu estilo original e puro.
Tive o privilégio de em outubro de 2009, realizar a exposição fotográfica "Dois Olhares" em parceria com Manoel de Barros, na cidade de Campos/RJ. Meu olhar fotográfico acompanhado do olhar poético do Manoel. Ele, gentilmente, me autorizou - por escrito - a utilizar fragmentos de sua poesia na mostra de fotos.
Após ter estado com ele (em sua casa) escrevi o texto "Manoel por mim" (ele escreveu "Manoel por Manoel") que transcrevo abaixo, de forma a registrar mais uma vez a minha ternura e admiração pelo tão querido Manoel de Barros, homenageando-o.
Manoel por mim
Estive
face a face com uma criança de noventa e dois anos. Não é ficção. Manoel de
Barros é o seu nome. Manoel não é só humano. Ele é a poesia em forma de gente. Seu jeito diferente de ser, de ver e de viver
faz dele uma pessoa sem igual. Um homem que tem o elixir da infância na poesia.
Homem-menino que se mantém criança para brincar com as palavras, para usá-las
sem regras, sem imposições semânticas. Um herói da agramática que quebra regras
corajosamente.
Ele abriu
sua casa e nos recebeu com o sorriso de menino peralta. O que será que pensou
naquele momento? Viu mulheres ou viu crianças? O olhar do Manoel deforma as
coisas e pessoas. Ele desconstrói para captar a essência dos seres animados e
inanimados. Ou será que capta pra então desconstruir?
Fiquei
ao seu lado. Na mesma poltrona. Quando olhei pra ele de soslaio, vi que meu
gesto era o mesmo dele: pernas cruzadas e uma mão segurando a outra. Por um
momento pensei o quão seria bom se a poesia fosse contagiosa. Desejei que em
minhas veias corresse a pureza d´alma que exala dos poros daquele ser
estupidamente cândido e inteiramente poeta. Não que eu quisesse ser ele, mas quis
sua inocência, sua alegria pueril, desejei ser parte de sua vida. E já estava
sendo...
O
sol acordou em mim. Amanheci. Meu interior é assim. Dentro dele anoitece,
entardece e amanhece de repente. Às vezes até chove. Uma tempestade empurra
água pra margem de meus olhos. Acontece um transbordamento. Queria que chovesse
menos, mas há ocasiões em que a estação é de muita chuva. Agora a luz está de
volta. Manoel de Barros acendeu o sol.
Tenho
que mantê-lo aceso em mim.
Bonito/MS,
20 de maio de 2009
____________________________________________Agradeço a Deus pela dádiva de viver e ter a oportunidade de momentos como os que já vivi. Que o Senhor capacite-me a cada dia para enxergar conforme seu propósito. Que Deus conforte familiares e amigos de Manoel. Assim seja!
“Quando meus olhos estão sujos da
civilização,
cresce por dentro deles um desejo de árvores e aves”.
- Manoel de
Barros -
07 novembro 2014
Os mestres da suspeita

Quem aprecia os pensamentos de Marx, Freud e Nietzche possivelmente irá gostar do livro cuja imagem de capa está ao lado. Os que criticam também deverão gostar da leitura. Abaixo está um resumo que fiz do capítulo 7. O livro "Uma introdução à filosofia da religião" é de autoria de Alessandro Rocha. Saiba o motivo deles terem sido chamados de "mestres da suspeita".
CRÍTICA
ATEÍSTA DA RELIGIÃO: OS MESTRES DA SUSPEITA
ROCHA,
Alessandro. Uma introdução à filosofia da religião. São Paulo: Vida, 2010. pp.127-144.
Sigmund Freud, Karl Marx
e Friedrich Nietzsche são destacados no capítulo 7 do livro “Uma Introdução à Filosofia
da Religião”, de Alessandro Rocha. Os três pensadores colocavam a religião e a
consequência dela em cheque; desconfiavam da existência de Deus, bem como de
quaisquer divindades. Daí serem chamados de “mestres da suspeita”.
No capítulo Crítica ateísta da religião: os
mestres da suspeita, discorre-se sobre as crenças dos referidos
pensadores. Marx, por exemplo, disse que
a religião é o ópio do povo. Ele acreditava que ao criticar a religião, a
população seria alertada acerca de um sistema manipulador, que deixava – em sua
opinião – as pessoas acomodadas, resignadas, inertes. Marx defendia que a
filosofia, ao criticar a religião, estava prestando um grande serviço à
sociedade.
Nietzsche teria sido ainda mais
contestador, sendo dele a célebre sentença de que Deus está morto. Contudo, ele
fala da morte de Deus “como condição para o surgimento do super-homem, ou seja,
o ser humano em plena afirmação de sua vontade e potência” (Rocha, p.128).
Outro pensador crítico da religião foi o
psicanalista Sigmund Freud, para quem Deus é uma ilusão infantil. Ele não se
preocupou em analisar a existência de Deus, mas, sim, fazer um estudo crítico
sobre a razão da existência de fé e religião.
Freud defendia que os religiosos
viam em Deus uma figura paterna, como um pai que acolhe o filho no mundo
injusto e cruel. Este paternalismo, afirmava, era prejudicial, vez que causava
imaturidade para o enfrentamento de problemas. Por isso, Freud defendia que
este pai deveria morrer no imaginário das pessoas.
Um dos pontos ressaltados por Alessandro Rocha é a assertiva de que não se deve simplesmente repetir as teorias de pensadores que criticaram a religião, devendo ocorrer uma crítica da crítica religiosa daquela época. Sendo a filosofia a permanente busca de conhecimento, não há de se ter como finito ou definitivo um conceito.
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