18 março 2013
08 fevereiro 2013
Bichos do "meu quintal"
| Foto: Fátima Nascimento |
"Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos".
Manoel de Barros
Mais fotos deste ensaio fotográfico veja aqui.
Bichos do "meu quintal"
20 janeiro 2013
Tumor na alma
Cheiro forte. Odor ruim. Uma casa fechada. Ninguém atendeu. Polícia chamada. Suspeita comprovada: um corpo humano apodrecia lá dentro. Li a notícia no jornal. Tratava-se de um homem de pouco mais de 50 anos de idade e que eu conhecia há mais de 20 anos. Nosso contato, entretanto, era pouco frequente. E quando acontecia era por questões profissionais: eu na função de jornalista e ele na de artista plástico. Mas há muitíssimo tempo não o via, especialmente porque não labuto na imprensa diária desde 2002.
Imaginei há quanto tempo aquele homem deveria estar já sem vida ou sem ninguém por perto pra acudi-lo. Último capítulo triste na história de quem colocou sua arte em quadros e encantou tantos com seu talento. "Vidas" em molduras e a morte solitária do autor dos quadros.
Talvez ele tenha recebido alguns telefonemas ou a campainha de sua casa tenha tocado durante o período em que jazia morto ou até tenha tentado atender às primeiras chamadas, mas estivesse impossibilitado de locomoção pela fraqueza ou forte dor. Causa da morte desconhecida. Putrefação adiantada. Não puderam ser realizados exames cadavéricos.
Só mesmo um milagre traria à vida aquele homem, como quando Jesus ressuscitou Lázaro que estava morto há quatro dias e cujo corpo cheirava mal, conforme narrado na Bíblia Sagrada, no Livro de João Capítulo 11, versículos de 39 a 44. Não raro muitos ficam na expectativa de uma solução, de um acontecimento milagroso.
Para que tenhamos qualquer vitória temos que fazer a nossa parte. Jesus pediu que alguém removesse a pedra e então Lázaro saiu do túmulo. Primeiro Noé teve que construir a arca e colocar os animais dentro dela para só depois Deus fazer chover.
Quando a morte chega, exceto se advier o milagre da ressurreição, não há como retroceder ou avançar. Daí termos que estar atentos ao que temos feito ou deixado de fazer. Nossas atitudes vão determinar o tempo em que estaremos com uma vida escassa de paz, conquistas, amor e alegria.
O homem que citei morreu sozinho. Não conheço a história pessoal dele. Entretanto, sei de pessoas que se enclausuram em autopiedade e tristezas. Que encarceram a alma, não se colocam livres para alçar novos voos e enforcam a esperança. Prendem a emoção do passado e não se libertam das angústias e traumas. Há vida, mas apodrecido está o coração. E se isolam. E são isolados.
Não deixe sua alma adoecer. Já disse, acertadamente, a poeta e filósofa Viviane Mosé: "dor endurecida é tumor".
Imaginei há quanto tempo aquele homem deveria estar já sem vida ou sem ninguém por perto pra acudi-lo. Último capítulo triste na história de quem colocou sua arte em quadros e encantou tantos com seu talento. "Vidas" em molduras e a morte solitária do autor dos quadros.
Talvez ele tenha recebido alguns telefonemas ou a campainha de sua casa tenha tocado durante o período em que jazia morto ou até tenha tentado atender às primeiras chamadas, mas estivesse impossibilitado de locomoção pela fraqueza ou forte dor. Causa da morte desconhecida. Putrefação adiantada. Não puderam ser realizados exames cadavéricos.
Só mesmo um milagre traria à vida aquele homem, como quando Jesus ressuscitou Lázaro que estava morto há quatro dias e cujo corpo cheirava mal, conforme narrado na Bíblia Sagrada, no Livro de João Capítulo 11, versículos de 39 a 44. Não raro muitos ficam na expectativa de uma solução, de um acontecimento milagroso.
Para que tenhamos qualquer vitória temos que fazer a nossa parte. Jesus pediu que alguém removesse a pedra e então Lázaro saiu do túmulo. Primeiro Noé teve que construir a arca e colocar os animais dentro dela para só depois Deus fazer chover.
Quando a morte chega, exceto se advier o milagre da ressurreição, não há como retroceder ou avançar. Daí termos que estar atentos ao que temos feito ou deixado de fazer. Nossas atitudes vão determinar o tempo em que estaremos com uma vida escassa de paz, conquistas, amor e alegria.
O homem que citei morreu sozinho. Não conheço a história pessoal dele. Entretanto, sei de pessoas que se enclausuram em autopiedade e tristezas. Que encarceram a alma, não se colocam livres para alçar novos voos e enforcam a esperança. Prendem a emoção do passado e não se libertam das angústias e traumas. Há vida, mas apodrecido está o coração. E se isolam. E são isolados.
Não deixe sua alma adoecer. Já disse, acertadamente, a poeta e filósofa Viviane Mosé: "dor endurecida é tumor".
14 janeiro 2013
Uma telespectadora passiva de BBBs etc
Existe o fumante passivo. Não é novidade e todo mundo sabe o que significa. Agora também me enquadro noutra categoria: a do telespectador passivo (nem sei se já existe esta expressão por aí). Há anos não assisto a novelas, mas ouço muitos comentários a respeito. Não vejo Big Brother Brasil, mas estou inserida entre os que vêem o programa. O tema pode não me interessar, mas minha audição capta os sons ao meu redor. Vivo em sociedade.
Recentemente uma colega falava sobre alguém preocupadamente. Eu estava concentrada em meu trabalho e - como se diz - "peguei o bonde andando". Imaginei que havia acontecido algo com um familiar ou uma pessoa muito amiga. Nada disso. Tratava-se de ficção. Era sobre uma personagem de novela. Até fiquei aliviada.
Domingo, no Fantástico, foi exibido um trecho do BBB. Foi o bastante pra confirmar que ganho (e muito) ao deixar de assistir ao tal reality show. Talvez você seja um telespectador ativo de BBBs e novelas. Cada um alimenta a mente do que pensa precisar ou do que oferecem e, neste caso, sem qualquer questionamento. Eu optei por filtrar, conforme minhas necessidades intelectual, espiritual e emocional.
É verdadeira a máxima de que pra gente ter algo novo é preciso desapegar do velho e que é preciso que pensamentos e comportamentos sejam diferentes para que uma mudança desejada aconteça. Vale a pena uma espécie de faxina no cérebro, como quem tira dele o que obstrui a passagem para pensamentos renovadores.
Quando vejo pessoas alimentando-se de BBBs e novelas, mastigando cada episódio como se fosse o derradeiro amendoim do pacote, imagino que deve ser insossa a vida de cada uma delas. É como se a história do outro fosse um êxtase e a sua própria uma edição medíocre que circula no planeta Terra.
Mas, é claro, pode não ser nada disso. Quisera estar errada em minha breve análise e permanecer uma telespectadora passiva de BBBs, folhetins tolos etc. Exceto, evidente, se até eles mudarem.
(Fátima Nascimento)
Recentemente uma colega falava sobre alguém preocupadamente. Eu estava concentrada em meu trabalho e - como se diz - "peguei o bonde andando". Imaginei que havia acontecido algo com um familiar ou uma pessoa muito amiga. Nada disso. Tratava-se de ficção. Era sobre uma personagem de novela. Até fiquei aliviada.
Domingo, no Fantástico, foi exibido um trecho do BBB. Foi o bastante pra confirmar que ganho (e muito) ao deixar de assistir ao tal reality show. Talvez você seja um telespectador ativo de BBBs e novelas. Cada um alimenta a mente do que pensa precisar ou do que oferecem e, neste caso, sem qualquer questionamento. Eu optei por filtrar, conforme minhas necessidades intelectual, espiritual e emocional.
É verdadeira a máxima de que pra gente ter algo novo é preciso desapegar do velho e que é preciso que pensamentos e comportamentos sejam diferentes para que uma mudança desejada aconteça. Vale a pena uma espécie de faxina no cérebro, como quem tira dele o que obstrui a passagem para pensamentos renovadores.
Quando vejo pessoas alimentando-se de BBBs e novelas, mastigando cada episódio como se fosse o derradeiro amendoim do pacote, imagino que deve ser insossa a vida de cada uma delas. É como se a história do outro fosse um êxtase e a sua própria uma edição medíocre que circula no planeta Terra.
Mas, é claro, pode não ser nada disso. Quisera estar errada em minha breve análise e permanecer uma telespectadora passiva de BBBs, folhetins tolos etc. Exceto, evidente, se até eles mudarem.
(Fátima Nascimento)
13 janeiro 2013
05 janeiro 2013
O que nos move
Na ciranda da vida
não podem faltar:
- fé
- esperança
Que nem criança que crê
mesmo sem ver.
(Fátima Nascimento)
não podem faltar:
- fé
- esperança
Que nem criança que crê
mesmo sem ver.
(Fátima Nascimento)
14 dezembro 2012
Na frente da porta está 2013
| Foto: Fátima Nascimento |
Há os que arrombarão a porta na contagem regressiva, como se tivessem colocado uma dinamite nela e que anseiam pelo momento da explosão. Tem também os que a abrirão vagarosamente, espreitando o que há adiante. E ainda há os que não chegarão a abri-la porque - como se diz - pra morrer basta estar vivo.
Esta semana conheci uma senhora de pele muito enrugada que teme que o coração dela pare de bater sem estar resolvida uma questão judicial que tem a ver com a casa onde moram ela e o marido. A minha expectativa é que semana que vem esta mulher tenha êxito em seu objetivo e possa adentrar 2013 em paz. Mas para que isso aconteça ela precisa que uma engrenagem jurídica funcione.
Precisamos uns dos outros. Necessitamos que haja sensibilidade quanto às mazelas sociais e morais. É urgente a mudança de atitude em vários setores, inclusive dentro das casas. Enquanto muitos continuarem se alimentando de lixo, é lixo que vão disseminar. Pense nos programas de televisão que assiste, nas letras das músicas que ouve, nas conversas que alimenta e das quais se nutre. São imprescindíveis em sua vida? Não podem faltar em 2013?
Se você deseja ver e sentir algo diferente quando romper a porta que separa o velho do novo ano, é fundamental que a diferença comece dentro de você. Se não for assim, será o "mais do mesmo". E se já não estava bom, continuará ruim e poderá até piorar. Se está bom, sempre pode melhorar.
O meu desejo é que possamos abrir a porta que nos conduz até 2013, mas não sozinhos. A minha oração é que ela esteja leve porque Deus seguirá comigo. E não estarei ansiosa por nada, pois Ele me sustenta e me guia os passos.
FELIZ 2013 PRA TODOS OS LEITORES DO VERBO SOLTO!
13 dezembro 2012
12 outubro 2012
Palavras que vestimos
Palavras são importantes. Tanto são que a poeta Viviane Mosé diz que "a palavra é uma roupa que a gente veste". Aí pensamos sobre como está o nosso guarda-roupa de palavras. Há as roupas curtas, longas, vulgares, moralistas, politicamente corretas, neutras, coloridas... Escolhemos a peça conforme a ocasião ou temos o nosso estilo independentemente de onde estamos ou para donde vamos?
Talvez haja peças de roupas que precisam ser arrancadas do armário e nunca mais usadas. E nem devemos doá-las, pois se não servem pra nós, não devemos querê-las em outras pessoas. Há palavras que vestimos e temos vontade de rasgar, como se não tivessem existido. Mas já nos despimos delas. Alguém já as ouviu e nos mostramos com uma peça inadequada que feriu.
Com quais palavras você sai de casa todos os dias? Você usa a que está na moda sem se importar com a consequência dela ou você faz uma seleção e não se veste com qualquer uma? Tem quem se vista com o negativismo, com a antipatia, soberba, hipocrisia e outras roupas inúteis - ao meu ver.
Pense nisso e faça uma faxina no seu guarda-roupa de palavras. Afinal, uma palavra mal dita fala contra você e ainda pode ser copiada por quem acompanha a moda sem olhar para o próprio espelho.
Abaixo, como não poderia deixar de ser, as palavras da poeta Viviane Mosé, que - em minha opinião - escolhe bem as "roupas".
Talvez haja peças de roupas que precisam ser arrancadas do armário e nunca mais usadas. E nem devemos doá-las, pois se não servem pra nós, não devemos querê-las em outras pessoas. Há palavras que vestimos e temos vontade de rasgar, como se não tivessem existido. Mas já nos despimos delas. Alguém já as ouviu e nos mostramos com uma peça inadequada que feriu.
Com quais palavras você sai de casa todos os dias? Você usa a que está na moda sem se importar com a consequência dela ou você faz uma seleção e não se veste com qualquer uma? Tem quem se vista com o negativismo, com a antipatia, soberba, hipocrisia e outras roupas inúteis - ao meu ver.
Pense nisso e faça uma faxina no seu guarda-roupa de palavras. Afinal, uma palavra mal dita fala contra você e ainda pode ser copiada por quem acompanha a moda sem olhar para o próprio espelho.
Abaixo, como não poderia deixar de ser, as palavras da poeta Viviane Mosé, que - em minha opinião - escolhe bem as "roupas".
E você?
A palavra é uma roupa que a gente veste.
Uns gostam de palavras curtas.
Outros usam roupas em excesso.
Existem os que jogam palavra fora.
Pior são os que a usam em desalinho.
Alguns usam palavras caras.
Poucos ostentam palavras raras.
Tem quem nunca troca.
Uns gostam de palavras curtas.
Outros usam roupas em excesso.
Existem os que jogam palavra fora.
Pior são os que a usam em desalinho.
Alguns usam palavras caras.
Poucos ostentam palavras raras.
Tem quem nunca troca.
Tem quem usa a dos outros.
A maioria não sabe o que veste.
Alguns sabem e fingem que não.
E tem quem nunca usa a roupa certa pra ocasião.
Tem os que se ajeitam bem com poucas peças.
Outros se enrolam em um vocabulário de muitas.
Tem gente que estraga tudo que usa.
E você, com quais palavras você se despe?
A maioria não sabe o que veste.
Alguns sabem e fingem que não.
E tem quem nunca usa a roupa certa pra ocasião.
Tem os que se ajeitam bem com poucas peças.
Outros se enrolam em um vocabulário de muitas.
Tem gente que estraga tudo que usa.
E você, com quais palavras você se despe?
(Viviane Mosé)
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