Pausa

A palavra está presa
e se refugia no peito
Frágil, ela não se mostra
Cansada, se recupera

A palavra agora não quer falar
por adjetivos e verbos
Mas deseja ser lida
oculta

A palavra está em guerra
luta contra a aridez do descompasso
Quer não dizer,
não se revelar

A palavra pede um tempo
pra ser renovada.

(Fátima Nascimento)

Comentários

Cacá disse…
Drummond mandou para você:


"Chega um dia de falta de assunto. Ou, mais propriamente, de falta de apetite para os milhares de assuntos.
Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. O dedo sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir à marginalia, purê de palavras, reflexos no espelho (infiel) do dicionário."
(Carlos Drummond de Andrade, Para Gostar de Ler)

Meu abraço. Paz e bem.
Fátima disse…
Oi Fátima
Que ela tenha o tempo necessário para ser renovada.
Muito belo teu poema!

Beijos
Fátima
Manamiga, há tempo de falar, tempo de calar, tempo de chorar e tempo de rir... mas sempre é tempo de abraçar...

bjo
Amada mana miga!

Vim convidar você e seus comentaristas, ( não tenho nenhum não,ok? Por isso estou trazendo em mãos, o convite. Quer dizer, em teclados.. ou o em não sei o quê)para vir ver uma corrida de bicileta.
Ali no ACRE, dite! Vai ser uma excelente corrida, pois quando Jesus dá uma piscadinha no capricho tá mesmo aprontando tudo. Uau!
A corrida tem um tema:

"ACRE-dite! BIOlogia sem ZOE a logia fica no asfalto."

Aqui: www.acridoce-oil.blogspot.com

E aqui não vai ter toupeirice não. É Corrida de bicileta.
E como sei que você gosta de esporte poetizando e cantando achei por bem trazer, ok?

Obrigada mana miga. Fica na torcida aí, Ok. Torcer para eu não toupeirar. Quem sabe levo menos puxões de orelhas... dEle? kkk

zanzoe... dEle.
Boa noite-madrugada, Fátima.
E quantas vezes a palavra nos pede silêncio! Porque até mesmo dentro de nós a palavras que não desejam sair, mas apenas ecoar, não em cordas vocais, não em dedos frenéticos, denunciadores, mas nas cordas do coração. Há mesmo palavras em nós que não querem pertencer a mais ninguém.
Um beijo carinhoso
Lello
Cacá, obrigada por compartilhar este trecho de Drummond. Não conhecia. Paz!
Fátima, obrigada pelo comentário! Só desejo que o tempo seja curto (rs). Bj.
Rosângela, muito bom isso: é sempre tempo de abraçar. Obrigada pelo ABRAÇO.
Lello, realmente há momentos em que a palavra não quer falar, pede silêncio; como se fosse um "registro" interno ou tempo para amadurecer os pensamentos, a fim de que possam ser materializados em palavras (ou não).

Valeu!

Meu abraço.

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