12 de nov de 2006

Embriagados de palavras


Início da noite de sábado. Hora marcada, não para chegar numa festa ou na sessão de cinema. Reunião informal para “beber” palavras. Nove pessoas – entre elas, eu – embebedaram-se do poeta Manoel de Barros. Conversamos sobre sua obra, a forma que expressa idéias e sentimentos, como “moleca o idioma”. Lemos e ouvimos textos escritos por ele. Uma noite agradável e diferente, que se pretende seja repetida uma vez a cada mês.

Não se trata de encontro de intelectuais. Nem me considero como tal, embora para meu sobrinho de nove anos o fato de eu ter algum conhecimento de inglês me confira o adjetivo “inteligente”. Definimos quem será o autor-estudado na próxima reunião. A Clarice Lispector. Tenho curiosidade em saber mais sobre as obras dela; conhecer vários de seus textos. Uma leitora certa vez disse que tenho um pouco dela em minha expressão textual. Não me atrevo a comparar.

Lembro-me de numa palestra, o escritor e roteirista Alcione Araújo ter mencionado a dificuldade que algumas pessoas têm de compreender que há quem prefira ficar em casa lendo um bom livro a sair pra festas. Suponho que todos os participantes do encontro ao qual me referi aceitariam bem a justificativa “Desculpe, não aceitei seu convite porque estava envolvida com uma leitura maravilhosa e não quis interromper”.

Recentemente, terminei de ler “Nem mesmo todo o oceano” do próprio Alcione Araújo. Foram quase oitocentas páginas de um romance, cuja obra recomendo. Deixei de ir a uma festa, não exatamente devido à leitura – que pelo volume precisou ser pausada muitas vezes –, mas confesso que lia o livro enquanto a festa acontecia.

Reuniões como a que citei deveriam ocorrer às milhares. Ouvimos idéias escritas e ditas por outros; concordamos ou discordamos. Mas respeitamos. “Lugar sem comportamento é coração”, alerta Manoel de Barros. Coração empedrado não deveria existir nem mesmo fora dos poemas.

Um comentário:

Diego Fernandes disse...

Ola Fatima...
Que inveja...
Queria estar ai com vcs...