9 de abr de 2006

Mocinhos amedrontados

A vida não é uma novela. O final feliz não é certo e sequer temos uma sinopse sobre cada pessoa que está ao nosso redor ou que se aproxime de nós. Não temos capítulos previamente escritos. Nossa vida é construída dia-a-dia. O fim pode ser a qualquer momento, com um desfecho que foge ao controle. O dinheiro não é cenográfico; precisamos do papel-moeda verdadeiro.

Atores ou não, somos personagens na engrenagem mundial e temos um roteiro com adaptações diárias. O figurino é completo. Vestimo-nos, por vezes, de palhaços, colocamos armaduras pra ataque e defesa, também carapuças em nós e em tanta gente. Mas somos e lidamos com pessoas reais. As lágrimas e os sorrisos são de verdade, embora exista quem ache engraçada a desgraça alheia e quem chore fingindo uma dor que não sente.

Há personagens perigosos, talvez no mesmo palco que você. Quando estamos no carro ou no ônibus, podemos ser abordados pelos que desempenham o papel de bandidos. Sem dó, podem cortar nosso pescoço, ao puxar um cordão; arrancar nosso dedo, pra ter um anel. Matam por um carro, pela droga, pela ganância, pelo sabor da vingança, porque ignoram o mandamento “não matarás”.

Quem dera as lágrimas tristes viessem à tona apenas em razão de uma cena emocionante na novela ou filme. Não é assim. O que fazer, então? Não dá pra se esconder ou andar pelas ruas com um detector de violência. Não dá pra aderir à síndrome do pânico e temer a própria sombra. Já ouvi bastante que “violência gera violência”. Está na hora da paz gerar paz. E que a produção seja tamanha que neutralize os vilões da humanidade.

* Texto de Fátima Nascimento publicado em 10/08/2004 no Jornal Monitor Campista

4 comentários:

Zeca disse...

É verdade, Fátima!
Nesta época de violências desenfreadas e medos soltos pelos ares, acabamos reféns de ambos, entrando, não poucas vezes, numa espécie de círculo vicioso. Nos prendemos atrás de grades para nos sentirmos a salvo da violência que gera o medo e acabamos violentando nosso direito à liberdade, privando-nos da alegria de viver plenamente em função daquilo que gerou nossa auto-prisão. O que não deixa de ser uma espécie de auto-punição por vivermos num ambiente assim.
Está mais que na hora de começarmos a fazer algo para que a paz comece, finalmente, a gerar paz. E tanta, que acabe anulando os efeitos nefastos da violência e afaste de nós esse medo que nos consome. Vamos iniciar uma "onda de paz?"

Enorme abraço.

Moacir Caetano disse...

Um belo sonho...
mas infelizmente ainda uma utopia!
Enquanto houver gente que não tem o que comer, não há paz possível...
Beijos!

Bento Paraguaçu disse...

Ainda em uma sociedade perfeita onde todos comem e dormem com dignidade, haverá o pobre em dons e o rico em dons. Está no roteiro. Sempre haverá o papel do vilão, não há como lutar contra isso, pela lei da compensação outorgada pelo nosso "divino" sempre, de fato, existirá o papel do malfeitor. A nossa luta é outra. Não precisamos de opiniões, precisamos de bons exemplos.Temos que nos manter fortes e provarmos até para nós mesmos que ainda vale a pena sermos honestos, pelo menos, até sairmos deste palco...Tem coisa boa lá no "Provocadores". Estou fazendo a minha parte...Dando educação ao povo. Dê uma conferida e vai ver do que estou falando. Beijos...Te espero lá!

Splanchnizomai abraçando o amanhã. disse...

Olá, ! Que texto precioso este! Sentenças não finais, mas explicativas do mundo sem Deus. Creia, manamiga, de pouquinho em pouquinho contaminaremos um ao outro de frutos da àrvore da Vida. Semeando aqui e ali, e de repente o jardim está repleto! Florido e cheio de frutos. As folhas também curam... e a raiz... Bem, a raiz está à espera de um machado...
Naquela árvore do bem e mal que tanta amargura traz em seus frutos.